"Espécies invasoras" de Galápagos, são nativas
Foram localizados restos de fósseis que comprovam que
certas plantas encontradas nas ilhas Galápagos, as quais
inicialmente eram consideradas como espécies invasivas
levadas ao local por seres humanos, na verdade crescem
na região há milênios.

Separar as formas de vida vegetal naturais das ilhas
daquelas que são consideradas invasoras é essencial para
o sucesso dos esforços de conservação. Desde que o bispo
do Panamá desembarcou em Galápagos pela primeira vez, em
1535, visitantes trouxeram, intencionalmente ou por
acaso, cabras, frutas, formigas e uma longa série de
outras espécies para o arquipélago, alterando um
ecossistema visto como precioso tanto pelos apreciadores
da natureza quanto pelos biólogos estudiosos da
evolução.
As 825 espécies vegetais introduzidas nas ilhas já
superaram as 552 plantas naturais da região. Existem
também 62 espécies de plantas classificadas como
"nativas dúbias", os cientistas não estão certos de que
elas estivessem presentes nas ilhas antes da chegada dos
seres humanos.
"Sempre que você estiver lidando com estudos sobre
ilhas, um dos fatores mais importantes é determinar de
onde as coisas vieram, como chegaram aqui, e quando",
diz Conley McMullen, botânico da Universidade James
Madison, em Harrisonburg, Virgínia, que já trabalhou nas
Galápagos.
Ao examinar restos fósseis em amostras de sedimentos da
ilha Santa Cruz. Emily Coffey, aluna de pós-graduação da
Universidade de Oxford, no Reino Unido, conseguiu
confirmar recentemente que pelo menos quatro dessas
espécies cuja origem local era questionada, entre elas
uma variedade de hibisco, existiam na ilha há pelo menos
mil anos. Coffey está colaborando com pesquisadores que
examinam pólen fossilizado e mais espécies devem ser
reclassificadas como nativas, no futuro.
"Estou tentando compreender plenamente o que os seres
humanos fizeram nesse sentido", ela disse. Coffey
apresentou os resultados de suas pesquisas na reunião
anual da Sociedade de Biologia Conservacionista, em
Chattanooga, Tennessee.
Hóspedes mal vindos
Os cientistas muitas vezes avaliam as origens de uma
determinada espécie de planta por meio do estudo de sua
distribuição. Aquelas que se espalham por uma ilha são
provavelmente nativas, enquanto as que se concentram em
torno das regiões habitadas da ilha são identificadas
como supostas invasoras.
"Mas só existe uma maneira de determinar com certeza, e
é o estudo do registro paleontológico", disse Keith
Bennett, paleontologista da Universidade Queen's, em
Belfast, Irlanda do Norte, que considera o trabalho
desenvolvido por Coffey como "muito instigante".
Para recolher suas amostras, Coffey e seus colaboradores
percorreram os úmidos altiplanos de Santa Cruz.
Realizaram escavações em áreas pantanosas, onde os
sedimentos estavam assentados há milênios. Nas outras
ilhas, não existem áreas de ambiente inalterado como os
pesquisadores procuravam. Em Pinta, "infelizmente havia
um terreno alagadiço e enlameado, mas ele foi destruído
pelas criações de cabras", diz Coffey.
O número de espécies invasoras identificadas nas
Galápagos disparou nas duas últimas décadas, com a
grande expansão do ecoturismo nas ilhas e a migração de
outras pessoas que a adotaram como local de trabalho. Em
parte, essa alta se deve à adoção de técnicas mais
eficientes de identificação de plantas não nativas.
Johannah Barry, presidente da Galápagos Conservancy, uma
organização ambiental sediada em Fairfax, Virgínia,
aponta que o movimento no arquipélago se elevou
dramaticamente nos últimos anos. Em 1991, havia três
vôos semanais às ilhas, e agora esse número subiu a
cinco vôos diários. "Existem mais oportunidades para que
alguma coisa aproveite a carona e chegue ao arquipélago
despercebida", ela afirmou.
Os guardas florestais das ilhas e a Fundação Charles
Darwin operam nas Galápagos a fim de restaurar as ilhas
à sua condição primitiva. Os esforços já resultaram em
uma redução na presença da árvore do quinino, uma
espécie invasiva, que utiliza anéis instalados em torno
dos troncos para estrangular as árvores.
A pesquisa de Coffey ajudará os guardas florestais a
decidir que plantas devem ser extirpadas e que plantas
devem ser deixadas. "Não atingimos um ponto de decisão
ainda", afirma Coffey. "Podemos tratar de pelo menos
alguns desses problemas, da maneira pela qual nossas
ações exercem impacto sobre as ilhas, e com isso
realmente fazer diferença".