Justiça bloqueia bens e terras de madeireira no Amazonas
KÁTIA BRASIL
em Manaus
A Justiça Federal do Amazonas tornou indisponíveis bens,
contas bancárias e parte das terras da Gethal, empresa
que tem entre seus sócios o milionário sueco Johan
Eliasch.
A decisão acatou pedido do Ibama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis),
que queria uma garantia para o ressarcimento por danos
ambientais à floresta amazônica e indenizações por danos
materiais e morais à sociedade brasileira.
No início do mês, o Ibama do Amazonas aplicou dez multas
--totalizando R$ 381,2 milhões-- contra a Gethal,
acusando a empresa de explorar, comercializar e
transportar madeira nobre da floresta na região de
Manicoré (AM) --699.809 m¯ ou 230 mil árvores.
A decisão da juíza Maria Lúcia Gomes de Souza, titular
da 3ª Vara Federal, em Manaus, saiu na última
quinta-feira e determina multa diária de R$ 5.000 em
caso de descumprimento das medidas.
Essa foi a primeira vez em que o nome de Eliasch foi
citado no âmbito judicial como um dos sócios da empresa
Floream, principal acionista da Gethal, e da ONG Cool
Earth, que vende serviços ambientais pela internet e que
tem o sueco como co-presidente.
"Tenho como plausível o pedido de indisponibilidade de
bens da empresa Gethal, pois seu patrimônio servirá como
garantia ao possível ressarcimento", diz a juíza na
liminar.
O Ibama pediu a intimação do empresário, mas a Justiça
negou. A juíza determinou que sejam intimados os
responsáveis pelos cartórios das comarcas de Itacoatiara
e Manicoré para conhecimento da ação judicial no
registro de quaisquer imóveis em nome da Gethal. As
terras bloqueadas somam 33.069,50 hectares.
Em 2006, à Folha, Johan Eliasch se apresentou como dono
de 160 mil hectares de floresta no Amazonas compradas da
madeireira Gethal Amazonas. As terras são controladas
pela empresa Floream - Florestas Renováveis da Amazônia
Ltda., com sede em Caxias do Sul (RS), e tem como sócios
a Brazil Forestry Fund Investiment, com sede nos Estados
Unidos, e a empresa Nilory Sociedad Anonima, com sede no
Uruguai.
Conforme documentos que constam na ação, a Floream tem
em seu contrato social objetivo de comercializar,
importar e exportar mercadorias e matérias-primas.
O Ibama pediu e a Justiça deferiu a suspensão, até o
julgamento final da ação, de todas as atividades da
madeireira que envolvam extração ou retirada de produto
vegetal ou mineral, seja qual for sua destinação, nas
áreas em nome da Gethal.
Em nota enviada à reportagem, a Gethal Amazonas disse
que não tem interesse em explorar os recursos naturais
no Amazonas e que vai recorrer das multas.
Sobre a suspensão das atividades, a Gethal disse que não
recebeu comunicado oficial da Justiça Federal e que
soube da decisão pela Folha.
"A empresa entende que a suspensão refere-se à atividade
madeireira. Trata-se de decisão absurda, por ter a
Gethal, voluntariamente por decisão estratégica,
suspendido toda a atividade madeireira há alguns anos",
diz a nota.