Baleias levam a pior em reunião da comissão baleeira
Simon Gardner
As baleias emergiram como as grandes perdedoras do
encontro da Comissão Internacional Baleeira, que se
realizou durante uma semana em Santiago, no Chile, e se
encerrou nesta sexta-feira, disseram grupos
conservacionistas, desapontados com o fato de as nações
contrárias à pesca da baleia não terem sido capazes de
barrar o caçador número 1 do animal, o Japão.
As nações contrárias à caça da baleia, com a Austrália à
frente, expressaram profunda preocupação pelo Japão
escamotear a moratória comercial, estabelecida em 1986,
usando como justificativa a alegação de que as centenas
de baleias que caça todo o ano são destinadas à pesquisa
científica.
O Japão disse estar descontente com a moratória e que
deseja retomar a caça comercial. A divisão entre os dois
lados causou tanta tensão que o presidente da comissão,
Bill Hogarth, criou um grupo de trabalho, para obter um
ano de folga para tentar chegar a um consenso e evitar
um confronto este ano.
Mas a orientação deliberada de evitar o confronto, que
incluiu um chamado às nações para não votarem umas
contra as outras em questões litigiosas como a caça
feita pelos japoneses ou pedidos de criação de um
santuário das baleias no Atlântico Sul, significa que
pouco foi alcançado no encontro.
"Acho que foi uma semana decepcionante para as baleias",
disse Ralf Sonntag, do Fundo Internacional para o
Bem-Estar dos Animais. "O Japão volta pra casa sem
nenhuma votação ou resolução contra si. A Islândia
iniciou uma nova rodada de caça comercial da baleia
pouco antes desta conferência. Portanto, eles não a
estão levando a sério. Nada foi alcançado para as
baleias", disse Sonntag.
O Japão concedeu a si mesmo uma permissão especial para
caçar 1.000 baleias por ano, apesar da moratória,
enquanto a Noruega e a Islândia continuam a caçar
baleias, desafiando a proibição, que não tem caráter
obrigatório.
A população indígena da Groenlândia, Alasca e das áreas
árticas da Rússia recebe concessões especiais para
continuar a caçar baleias com finalidade de
subsistência.
Mas grupos que defendem a conservação tiveram como
consolo a decisão das nações contrárias à caça de
bloquear um pedido da Groenlândia de elevar sua cota
para este ano, diante das reclamações de que carne de
baleia está sendo vendida comercialmente em
supermercados da Groenlândia.