Governo de SP fala em "ingenuidade" e avalia mudanças
contra pane
da Folha Online
A pane da Telefônica, que paralisou diversos serviços em
São Paulo ontem (3), expôs a desproteção de um sistema
sobre o qual está montada a estrutura de vários setores
do governo estadual. Não por falta de um "plano B", mas
porque este, assim como o "plano A", é de
responsabilidade da mesma operadora.
Na quinta-feira, procedimentos básicos, como retirada de
documentos, realização de boletins de ocorrência e até
serviços bancários simplesmente não aconteceram.
Questionado, Leão Carvalho, presidente da Prodesp
(Companhia de Processamento de Dados do Estado de São
Paulo), afirmou à Folha Online que o governo pode ter
sido "ingênuo" ao confiar o plano emergencial à mesma
empresa responsável pela falha no sistema.
"Nosso 'plano B' tinha toda a redundância [espécie de
sistema alternativo ao principal, problemático]
constituída no próprio contrato com a Telefônica", diz
Carvalho. "O contrato prevê um certo grau de
confiabilidade do serviço. Mas talvez tenhamos sido
ingênuos", afirma ele.
Carvalho defende, porém, que o contrato (R$ 250 milhões
por cinco anos) teve caráter inovador dentro da esfera
pública. "Não tínhamos nenhuma experiência nesse
sentido. Cada autarquia tinha o seu contrato. Era um
modelo caótico e havia um alto custo para integrar
tudo."
A Prodesp pleiteará o pagamento da multa prevista em
contrato. O valor ainda está sendo calculado, com base
em dados como nível de redundância dos conectores,
velocidade da conexão e tempo fora do ar --dado que será
fornecido pela própria Telefônica. "Temos um sistema de
contagem, mas os números consideramos tecnicamente
corretos são os da Telefônica", admite Carvalho.
Novo contrato
Desde abril deste ano, a Prodesp estuda a licitação que
resultará em um novo contrato em 2010. Segundo o
presidente da empresa, já havia sido avaliada a
contemplação de dois fornecedores de serviço --um
responsável pelo funcionamento do sistema principal,
outro pelo sistema que suporta a redundância.
"A gente vai fazendo e aprendendo", diz Carvalho. "Em
situações assim, você paga o preço do pioneirismo."