Estudo: rã do Pantanal pode trazer cura para diabete
Secreções da pele de uma rã sul-americana (da espécie
Pseudis paradoxa, um tipo de rã aquática presente na
região do Pantanal) podem ser usadas para o tratamento
de diabetes tipo-2, de acordo com pesquisa anunciada
nesta semana na Conferência Anual da organização
britânica Diabetes UK, em Glasgow, na Escócia.
Cientistas das universidades do Ulster (Irlanda do
Norte) e dos Emirados Árabes Unidos testaram uma versão
sintética do composto pseudin-2, que protege a rã de
infecções, e descobriram, em testes de laboratório, que
ele estimula a secreção de insulina em células do
pâncreas.
A experiência não registrou a presença de efeitos
colaterais. A versão sintética mostrou-se mais eficaz no
estímulo de insulina do que o composto natural, abrindo
caminho para seu potencial desenvolvimento como um
medicamento para o tratamento de diabetes.
A diabetes tipo-2 costuma ser associada à obesidade e se
desenvolve porque o organismo não produz insulina
suficiente, ou quando a insulina produzida não trabalha
de maneira adequada. Com isso, o paciente não consegue
regular os níveis de glicose no seu sangue de maneira
apropriada.
O chefe da pesquisa, Yasser Abdel-Wahab, da Universidade
do Ulster, disse que foram feitas várias pesquisas com
moléculas bioativas de secreções da pele de anfíbios.
Um estudo recente desenvolveu um medicamento para a
diabetes a partir de um hormônio da saliva de um lagarto
encontrado no sudoeste dos Estados Unidos e norte do
México.
A espécie Pseudis paradoxa é conhecida por sua alteração
de tamanho com o passar do tempo. Os indivíduos começam
a vida como girinos de até 27 centímetros antes de
encolher para cerca de 4 centímetros quando adultos.