Prospecção de petróleo ameaça biodiversidade da
Amazônia, diz estudo
da Efe, em Washington
Os projetos de prospecção petrolífera e de gás natural
na região oeste da Bacia Amazônica se transformaram em
uma ameaça para a biodiversidade e os povos indígenas da
região, informou nesta terça-feira um estudo publicado
na internet pela revista "PLoS ONE".
Segundo a pesquisa, muito em breve essa zona, onde se
encontram a maior biodiversidade e as selvas mais
extensas do planeta, poderia estar coberta por
plataformas petrolíferas e gasodutos.
O estudo, realizado por duas organizações americanas sem
fins lucrativos e por cientistas da Universidade de Duke
(Carolina do Norte), destaca que já há 180 blocos de
prospecção petrolífera e de gás na região.
Esses blocos cobrem uma superfície de 688 mil km² em
territórios de Brasil, Colômbia, Equador e Peru.
Em uma pesquisa que durou três anos, os cientistas
determinaram as atividades petrolíferas na região, e seu
resultado é "uma alarmante avaliação das ameaças à
biodiversidade e aos povos da região", assinala o
relatório.
"Descobrimos que os blocos de gás e petróleo se
sobrepõem perfeitamente com as zonas de maior
biodiversidade para aves, mamíferos e anfíbios do
Amazonas", segundo Clinton Jenkins, cientista da
Universidade de Duke.
Ele acrescentou que "a ameaça para os anfíbios é de
especial preocupação, pois já constituem o grupo de
vertebrados mais ameaçado (pela extinção) no mundo
todo".
Parques
O estudo manifesta que nem sequer os parques nacionais
se salvam da prospecção de hidrocarbonetos, que se
concentrou nas partes menos afetadas do Amazonas.
Entre esses parques o relatório menciona o Parque
Nacional Yasuní, no Equador, e o Parque Nacional Madidi,
na Bolívia.
Segundo Matt Finer, do grupo ecologista americano Save
America's Forests, a situação "mais dinâmica" se
desenvolve na região amazônica peruana. 64 blocos de
petróleo e gás natural cobrem aproximadamente 72% da
região, que é de cerca de 490 mil km².
O estudo também indica que muitos dos blocos de
prospecção de hidrocarbonetos ameaçam os territórios de
povos indígenas que vivem totalmente isolados da
civilização e são suscetíveis a doenças externas.
Acesso
Segundo os cientistas, o grande perigo para a pureza do
Amazonas é representado pelos novos caminhos de acesso
que envolvem a prospecção petrolífera.
Essa nova estrutura viária acelera o desmatamento, a
colonização, a caça excessiva e a poda ilegal em zonas
que até há pouco eram remotas. "A eliminação de novos
caminhos de acesso petroleiro poderia reduzir de maneira
significativa o impacto da maioria dos projetos",
assinala Finer.
Brian Keane, do grupo Land is Life, afirma que o
desenvolvimento petroleiro no Amazonas ocidental é "uma
flagrante violação dos direitos dos povos indígenas na
região".
Acrescenta que os acordos internacionais reconhecem que
os povos indígenas têm direitos sobre suas terras, e
"explicitamente proíbem entregar concessões para a
exploração de recursos naturais em seus territórios sem
seu consentimento ".
"Encher o tanque de gasolina em breve poderá ter
conseqüências devastadoras para as selvas, seus povos e
suas espécies", assinala Stuart Pimm, cientista da
Universidade de Duke.