Cromossomo sexual de mosca ganha novos genes
Pequeno, mas bem dotado. Um estudo comparando o material
genético do cromossomo sexual masculino em
mosca-das-frutas drosófila revelou que ele tem
misteriosamente ganho novos genes e aumentado de
tamanho, ao contrário do que acontece com seu
equivalente no ser humano.
Igualmente surpreendente, a taxa de ganho de novos genes
nesses cromossomos é 11 vezes maior do que a perda.
Divulgação

Mosca-das-frutas ganha genes em cromossomo sexual; taxa
de ganho de genes em cromossomos é 11 vezes maior do que
a perda
Conhecido como cromossomo Y, sua presença define o Patologia
masculino em muitos animais, incluindo os seres humanos.
Nesse sistema, as fêmeas têm dois cromossomos sexuais X,
e os machos têm o par XY.
Outros animais apresentam métodos diferentes de
definição de Patologia. Por exemplo, entre vários répteis é a
diferença de temperatura durante a incubação do ovo que
determina o Patologia do animal.
Os genes do Y das moscas drosófilas são poucos, mas são
bons. Suas funções estão muito ligadas à reprodução.
Três deles fazem a cauda do espermatozóide se mover
--sem o gene, a célula sexual masculina não se move e o
indivíduo é estéril.
O novo estudo surgiu do seqüenciamento do genoma (a
compilação da ordem das bases químicas do material
genético, o DNA) de 12 espécies de moscas drosófilas,
completado no ano passado.
Antonio Bernardo de Carvalho, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, e seu aluno de doutorado Leonardo B.
Koerich, compararam os genes do cromossomo Y dessas
espécies.
O artigo será publicado na revista científica "Nature",
mas já está disponível on-line a partir de hoje aos
assinantes. Outro co-autor é um dos líderes do consórcio
do seqüenciamento de 2007, Andrew Clark, da Universidade
Cornell, EUA.
"Em mamíferos está bem demonstrado que os cromossomos X
e Y surgiram de um cromossomo comum", diz Carvalho. Mas
são estruturas bem diferentes. "Enquanto o X humano tem
mais de mil genes, o Y tem apenas 27. O Y de mamíferos é
uma versão empobrecida do X, e acreditava-se que o Y de
drosófila havia evoluído da mesma maneira", afirma.
Seqüenciamentos
O mistério da origem diferenciada do Y nas mosquinhas
começou em 2000, com o primeiro seqüenciamento do genoma
de uma espécie, a Drosophila melanogaster.
Foi a primeira surpresa: foram encontrados 12 genes no
Y, mas nenhum deles compartilhado com o X. Por trás
disso está o fenômeno da duplicação gênica. "Todos os
genes que encontramos no Y de Drosophila melanogaster
são duplicações de genes de outros cromossomos. É algo
bem comum nos genomas, mas não se sabia que era esta a
origem dos genes do cromossomo Y de drosófila", afirma
Carvalho.
Nova surpresa veio em 2005, com o seqüenciamento de
outra espécie, Drosophila pseudoobscura. Foram achados
os mesmos 12 genes --só que em outros cromossomos. O
cromossomo Y original havia sido substituído por um
pedaço de material genético de origem até hoje
desconhecida.
Com o seqüenciamento de mais dez espécies em 2007 foi
possível comparar a evolução do cromossomo sexual.
Antes, Koerich e Carvalho tiveram de completar falhas do
seqüenciamento, pois o Y tem muito DNA repetitivo, o que
torna difícil montar as seqüências.
E mais surpresas vieram. Apenas 3 dos 12 genes achados
na D. melanogaster estão presentes nos Y das 12
espécies, e a maioria deles (sete) têm origem mais
recente --63 milhões de anos, comparado com os 260
milhões de anos de outros genes comuns aos insetos da
ordem dos dípteros (como moscas e mosquitos).
"Nós estamos estudando agora o conteúdo de genes do Y de
cerca de 300 espécies de drosófilas para tentar
descobrir qual a origem do cromossomo Y das
moscas-das-frutas", afirma o pesquisador.