Combate a aquecimento só dará certo se gerar lucros, diz
Clinton
O esforço internacional para reduzir as emissões de
gases causadores do efeito estufa só terá sucesso se for
economicamente justificável, afirmou nesta terça-feira
em Hong Kong o ex-presidente americano Bill Clinton
(1993-2001). "Precisamos descobrir como fazer isso ser
economicamente viável", disse ele, durante um evento
organizado por sua fundação, a Clinton Global Initiative.
O ex-presidente afirmou que o combate ao aquecimento
global precisa gerar lucro e criar empregos para motivar
os países a se comprometer com a causa ambiental por
questões pragmáticas. Além de Clinton, o ministro das
Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, a presidente
das Filipinas, Glória Macapagal-Arroyo, e outras
autoridades também participaram do evento.
O encontro da organização ocorre ao mesmo tempo em que
mais de 9.000 delegados de países membros da Organização
das Nações Unidas (ONU) se reúnem em Poznan, na Polônia,
para discutir a mudança climática e tentar esboçar um
acordo para o próximo encontro, marcado para o ano que
vem em Copenhague, na Dinamarca.
Emergentes
Os participantes concordaram que é necessário cooperação
para conseguir desenhar uma estratégia sucessora do
Protocolo de Kyoto, que funcione na prática e não seja
um ponto de confrontação entre países desenvolvidos e em
desenvolvimento.
"Havia pessoas na China que acreditavam que isso
[Protocolo de Kyoto] era um complô para desacelerar o
crescimento econômico dos emergentes", disse Clinton.
"Mas eles mudaram, só que agora vamos ter que negociar
um novo acordo desde o princípio".
Clinton perguntou ao ministro Yang Jiechi como seria
possível "evitar a briga que arruinou Kyoto",
referindo-se à posição antagônica que Estados Unidos e
China adotaram nas negociações do acordo.
Yang Jiechi reiterou a posição chinesa e cobrou dos
países ricos transferência de tecnologia e recursos
financeiros para o combate ao aquecimento global.
"Acredito que os países desenvolvidos devem liderar o
combate dando ajuda tecnológica e de capital aos países
em desenvolvimento", disse Yang.
China e Estados Unidos se acusam mutuamente de ser o
maior poluidor do mundo. Em termos absolutos, os
chineses são os maiores emissores de gases causadores do
efeito estufa, mas argumentam que os norte-americanos
têm um nível de emissões de gases per capita muito
superior.
Fundo
Há um mês, a China sugeriu, em uma conferência da ONU em
Pequim, que os países ricos doassem 1% do seu Produto
Interno Bruto (PIB) para um fundo internacional que
proveria a transferência de tecnologia verde para os
países em desenvolvimento.
Na ocasião, o presidente Hu Jintao criticou o estilo de
vida ocidental, que chamou de "insustentável", e disse
que eles têm "responsabilidade e obrigação" de mudar o
modo como vivem. "Não podemos pedir a países como a
Índia ou a China que façam um voto de pobreza para que
nós continuemos com o nosso estilo de vida", reconheceu
Clinton, referindo-se aos hábitos de consumo dos países
ricos.
Clinton não chegou a falar especificamente no Brasil,
mas ressaltou que cerca de 18% de todas as emissões
causadas pelo mundo têm origem no desmatamento, e que a
Amazônia, juntamente com as florestas da Indonésia, são
um caso preocupante.
Yang Jiechi e Macapagal-Arroyo também aproveitaram a
ocasião para felicitar Clinton pelo sucesso de sua
esposa, Hillary, que foi apontada nova secretária de
Estado no governo do presidente eleito dos Estados
Unidos, Barack Obama.
Comentário: Não há duvida
que o homem quer levar vantagens até mesmo com sua
própria desgraça. De qual inferno apareceu os politicos?