Especialista diz que comércio agrícola acelera mudança
climática
da Efe, em Genebra
O comércio internacional de produtos agrícolas acelera a
mudança climática, pois favorece o aumento das emissões
de gases do efeito estufa, afirmou hoje o especialista
da ONU sobre o Direito à Alimentação, Olivier de
Schutter.
O fator fundamental, segundo De Schutter, deve-se às
emissões geradas pelo transporte destes produtos e o
tipo de agricultura intensiva que se promove. A
agricultura já é responsável por 30% das emissões de
gases responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Além disso, afirmou que "o comércio é legítimo e se
necessita em certo grau, mas não é a solução para a
segurança alimentar".
O especialista apresentou à imprensa as conclusões de um
estudo pedido pela ONU sobre a relação entre o comércio
internacional e o direito à alimentação. O estudo
apontou que o comércio não pode substituir a capacidade
de cada país de alimentar sua população.
A pesquisa confirma que a crise de alimentos registrada
este ano, originada por um grande aumento do preço dos
alimentos básicos, aumentou em 100 milhões o número de
pessoas que passam fome no mundo. São 963 milhões de
pessoas --em comparação com 852 milhões de 2005-- e,
desse número, 50% são pequenos agricultores de países em
desenvolvimento.
O especialista das Nações Unidas critica em seu
relatório o rumo que tomaram nos últimos anos as
negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC)
sobre uma maior liberalização do comércio mundial
--incluído o agrícola-- e afirma que, embora estas
conversas tenham tido êxito, isto não impediria que
"outra crise de alimentos se repita daqui a dois ou três
anos".
Os grandes produtores aumentaram seu poder e capacidade
de influir nas políticas públicas, enquanto ninguém
representa os interesses dos pequenos agricultores.
Nessas circunstâncias, segundo De Schutter, os que
"menos se preocupam por questões sociais ou ambientais
têm vantagem".