Portabilidade numérica de telefone chega a todo o país
Com a chegada da portabilidade numérica de telefones a
São Paulo e região metropolitana, o país todo passa a
contar, a partir desta segunda-feira, com a
possibilidade de trocar de operadora de telefonia fixa
ou móvel e manter o número. No total, serão 67 DDDs
atendidos e mais de 193 milhões de usuários.
Além de abranger o DDD 11 (que inclui a cidade de São
Paulo e outros 63 municípios), a chamada portabilidade
numérica chega hoje também aos DDDs 53 (RS), 64 (GO), 66
(MT) e 91 (PA). Nesta última etapa, serão 37,8 milhões
de clientes que poderão solicitar a portabilidade.
O DDD 11 concentra o maior número de usuários de
telefonia, 15,95% ou 30,8 milhões de clientes da
telefonia fixa e celular. Desde o dia 1º de setembro do
ano passado, quando a portabilidade começou a ser
oferecida, 491.823 usuários pediram para trocar de
empresa e manter o número do telefone. Desses, 319.907
são da telefonia celular e 172.016 da fixa.
Para o presidente da ABR Telecom, entidade
administradora da portabilidade, José Moreira, a entrada
gradual do sistema em todo o país foi importante porque
deu tempo de corrigir pequenos problemas antes do
processo entrar em grandes centros. Segundo o
presidente, as empresas tiveram que adaptar suas redes,
processo de faturamento e de numeração, o que foi um
procedimento complexo.
"Tivemos um cuidado para assegurar a melhor entrada
possível. Nos primeiros dias, houve a necessidade de
pequenos ajustes, mas em momento nenhum tivemos nenhum
problema que deixasse o serviço indisponível para o
usuário", completou.
Baixa adesão
A expectativa de especialistas e empresas é que, com a
entrada da portabilidade em São Paulo, aumente o número
de clientes que solicitam o serviço. "À medida que o
serviço é oferecido em grandes centros econômicos, o
mercado é mais dinâmico e os pedidos têm sido
crescentes", afirmou Moreira.
Para a assistente da Direção de Atendimento ao Cliente
do Procon-SP, Fátima Lemos, o número de usuários que
pediram a portabilidade até agora está abaixo das
expectativas principalmente por falta de divulgação. "O
número de pessoas não é significativo ainda. Falta
divulgação, é importante o consumidor saber desse
direito para poder exercê-lo", ressaltou.
Além disso, Fátima acredita que muitos consumidores
acabam não trocando de empresa por ter a sensação de que
não terão um melhor atendimento. Para ela, as operadoras
também não têm tanto interesse em divulgar a
portabilidade por medo de perder clientes.
"A portabilidade é importante porque corrobora para que
tenhamos maior competição e que as empresas atendam com
mais qualidade."
Como fazer
Para ter acesso à portabilidade, o consumidor deverá
procurar a nova operadora para a qual quer migrar e
apresentar o pedido, além de documentos pessoais. A
regra vale mesmo para os consumidores que possuem
contrato de fidelidade com a sua atual operadora.
A nova empresa entrará em contato com a antiga e o
consumidor receberá, na sua casa, uma conta com as
ligações que ainda não foram pagas e, caso esteja
previsto em contrato, a multa pelo rompimento da
fidelidade. O processo será feito em cinco dias, mas o
telefone continuará funcionando nesse período.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) permite
um período de transição de no máximo duas horas, em que
o telefone poderá ficar mudo. Qualquer problema acima
desse prazo, o consumidor deverá comunicar à nova
operadora.
Para a telefonia celular, o consumidor poderá pedir a
portabilidade dentro do mesmo DDD --o serviço ainda não
será possível fora desta área. O consumidor pode ainda
mudar de pré-pago para pós-pago ou vice-versa e manter o
número.
Já na telefonia fixa, o consumidor só poderá manter o
número se for dentro da mesma cidade ou da mesma
localidade --região em que é possível fazer ligação
local. No caso do telefone fixo, é possível ainda mudar
de endereço, dentro de uma mesma operadora, e manter o
número.