Rússia: prefeito quer fechar cidade tóxica, diz
jornal
A cidade de Chapayevsk, na Rússia, está tão contaminada
que o seu prefeito defende que a melhor forma de
resolver os problemas de saúde decorrentes disso é
simplesmente abandoná-la, segundo uma reportagem
publicada hoje no The Independent on Sunday.
O semanário britânico afirma que 96% das crianças de
Chapayevsc têm problemas de saúde, provocados por anos e
anos de contaminação do ar, do solo e do lençol freático
da região.
Durante décadas, a cidade russa abrigou várias
indústrias de produtos usados na fabricação de armas
químicas como o gás mostarda, minas terrestres e bombas
convencionais.

Hoje, as instalações foram convertidas para a produção
de herbicidas, mas a poluição liberada ao longo dos anos
não deve desaparecer tão cedo.
Por isso, segundo a reportagem do Independent, abandonar
a cidade de 70 mil habitantes seria "a solução ideal"
para Nikolai Malakhov, o prefeito da cidade.
O Independent on Sunday cita um estudo americano de 2005
que afirma que não apenas o ar de Chapayevsc é perigoso
para a saúde, mas frutas, legumes e verduras produzidos
na região também.
Nem a carne dos animais criados na área estaria a salvo
da contaminação.
Doença
O jornal cita ainda estatísticas que dão conta de uma
incidência de casos fatais de câncer de garganta, fígado
e rins três vezes maior do que a das cidades vizinhas,
além de diversas anomalias sexuais entre adolescentes.
Para completar o sombrio quadro de Chapayevsk, o
fechamento de diversas das fábricas que contaminaram a
região teria levado a uma alta taxa de desemprego e um
conseqüente aumento no uso de heroína, "o que está
contribuindo para o início de uma epidemia de HIV".
Ainda assim, a reportagem do semanário britânico
ressalta que Chapayevsk, que registrou um índice de
poluição de 7,8 em 2007, está longe de ser a cidade mais
poluída da Rússia.
"Para entrar na liga das cidades mais sujas, (o índice)
teria que marcar 14", afirmou um representante do
serviço de monitoramento ambiental da Rússia citado pelo
jornal britânico.