Criado exame similar e mais rápido que o de DNA
Todd Dvorak
Pesquisadores federais americanos declaram ter
desenvolvido um teste de identificação humana que é mais
rápido e possivelmente mais barato que exames de DNA.
Ele pode ser uma nova e útil arma no arsenal dos
detetives, especialistas forenses e militares, apesar de
ninguém esperar que substitua a análise de DNA - e que
seus proponentes digam que essa não é sua pretensão.
O novo método analisa anticorpos. Cada pessoa tem um
código de barras de anticorpos que pode ser extraído do
sangue, saliva ou outro fluido corporal. Anticorpos são
proteínas usadas pelo corpo para se isolar de vírus ou
realizar rotinas de faxina fisiológica.
"O DNA é um código físico que descreve a pessoa... e em
muitas maneiras seus anticorpos fazem o mesmo", disse a
Dra. Vicki Thompson, engenheira química do Laboratório
Nacional do Idaho que tem trabalhado com outros
pesquisadores para aperfeiçoar o teste, nos últimos 10
anos.
Os cientistas dizem que um perfil de anticorpos pode
trazer resultados de maneira mais rápida e barata e pode
ser feito em campo com um mínimo de treinamento.
Administradores do laboratório nacional licenciaram a
tecnologia exclusivamente para a Identity Sciences, em
Alpharetta, Georgia.
A empresa iniciante da Geórgia planeja lançar os kits de
testes e começar os treinamentos de laboratórios
policiais, militares, forenses e médicos ao redor do
planeta no final de 2009. Ken Haas, vice-presidente de
marketing, disse que os testes não têm a intenção de
substituir os testes de DNA, o renomado padrão de
identificação humana.
Mas Haas disse que o valor do perfil de anticorpos é ser
uma ferramenta de investigação para ajudar a encontrar
sentido em uma cena de crime, separar os rastros ou
esguichos de sangue de múltiplas vítimas ou identificar
de maneira mais rápida partes do corpo em um campo de
guerra ou em uma área de desastre como a dos ataques de
11 de setembro de 2001.
O método pode também reduzir o número de testes de DNA
necessários em uma investigação, potencialmente
economizando tempo e dinheiro e diminuindo a fila de
pedidos, ele disse. Resultados de testes com sangue
líquido ou ressecado podem ficar prontos em duas horas,
uma fração do tempo que é gasto para fazer testes
similares de DNA.
No entanto, um grande problema por enquanto é a falta de
uma base de dados nacional de anticorpos. Esta é uma das
razões pela qual o teste de anticorpos não deve ser
utilizado em uma investigação para vincular suspeitos a
crimes ou estabelecer motivos de fato para justificar
uma ordem de prisão.
Funcionários da empresa dizem que os testes iniciais de
cientistas forenses em cenas de crime simuladas em sete
locais ao redor do país produziram resultados positivos
e reforçaram a noção de que um há um mercado aguardando
ansiosamente pelo produto. A empresa se recusou a dizer
onde os testes foram feitos, declarando que tem acordos
de confidencialidade com os participantes.
A Identity Sciences ainda não determinou o preço dos
kits de campo. Mas executivos dizem que o seu produto
vai ser significantemente mais barato que testes de DNA,
que podem custar de US$ 500 (cerca de R$ 850) a US$ 3
mil (R$ 5.102) por amostra, porque requerem equipamento
sofisticado e tempo de laboratório.
"Nós ainda não vemos este produto como pronto para uso
em tribunal", disse Gene Venesky, vice-presidente da
Identity Sciences. "Mas o vemos como um caminho para
fazer com que o caso vá em direção a uma resolução
final, legal".
Ainda assim, alguns especialistas forenses dizem que
esse tipo de escrutínio pode ser inevitável,
especialmente se os testes conquistarem um papel maior
no combate ao crime.
"Há muito potencial aqui", disse Lawrence Kobilinsky,
especialista em DNA. "Se esses testes passarem a ser
usados em corte, o que considero inevitável, só valerão
como prova quando sua precisão e confiabilidade forem
comprovadas".