Conheça 10 coisas com as quais não se preocupar
Ao longo do ano, o dever da imprensa costuma ser
vasculhar o universo em busca de maneiras de estragar o
dia do leitor. Quanto mais medo, culpa ou angústia uma
notícia provoque, melhor. Por isso compilei uma lista de
10 coisas sobre as quais você não terá de se preocupar.
Não posso garantir que essas preocupações sejam de fato
todas infundadas, porque é impossível garantir a
segurança absoluta de qualquer coisa, mesmo de ler o
jornal. Com verba suficiente, um químico certamente
descobriria que a tinta contém carcinógenos perigosos
para qualquer rato que leia uma coluna sobre ciências um
trilhão de vezes ao dia. Mas garanto que vocês não
precisam se preocupar com:
1. Cachorros quentes mortais
Salsichas sempre causam pânico. Houve o medo dos
nitratos. Depois a história de que prepará-las em uma
grelha liberava carcinógenos. Em seguida, quando essas
ameaças foram negadas, voltou o fantasma da gordura
saturada.
Mas uma experiência rigorosa realizada em Israel
mostrou, segundo relatório publicado em junho, que
pessoas que consumiram mais gordura saturada, em uma
dieta de calorias restritas, do que um segundo grupo no
qual gordura e calorias estavam restritos, perderam mais
peso e apresentavam menos colesterol ao final do teste.
2. O ar condicionado em seu carro vai destruir o planeta
Por mais preocupado que esteja com emissões de
poluentes, pode manter o ar condicionado ligado a
caminho da praia. Experiências conduzidas pelos
especialistas em economia de combustível da edmunds.com
demonstraram que manter as janelas abertas do carro
quando você dirige a 100 km/h, cancela a economia de
combustível propiciada pelo ar desligado.
3. Frutas distantes e proibidas
Ousar ou não comer um kiwi? Pode comer: a quilometragem
alimentícia não significa mais emissões. Alimentos
vindos de outros países são muitas vezes produzidos e
transportados de forma mais eficiente que os locais. Um
estudo mostrou que maçãs neozelandesas exportadas para o
Reino Unido geravam menos poluição do que maçãs
produzidas e consumidas localmente.
4. Celulares carcinogênicos
Alguns cirurgiões de cérebro conhecidos ganharam espaço
no programa de Larry King este ano ao dizer que têm medo
de celulares ¿ o que só prova que ser epidemiologista é
mais difícil do que operar cérebros.
Minha colega Tara Parker-Pope explica que não existe
mecanismo conhecido pelo qual a radiação não ionizante
dos celulares possa causar câncer, e estudos
epidemiológicos não encontraram vínculo consistente
entre celulares e câncer.
Dirigir falando no celular continua a ser um risco, mas
esse risco é de colisão, e não câncer.
5. Sacos plásticos malignos
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) garante: sacos de
papel não são melhores para o ambiente do que sacos
plásticos. Os indícios de longo prazo parecem favorecer
os sacos plásticos, aliás, porque sua fabricação,
transporte e reciclagem requerem muito menos energia.
6. Garrafas plásticas tóxicas
Por anos, grupos de estudos consideram o bisfenol-a, ou
BPA, usado na produção de garrafas de policarbonato,
como seguro. O material poderia causar danos a roedores
se administrado em ampla dosagem, mas o mesmo vale para
os produtos químicos naturais de muitos alimentos que
comemos. Este ano, uma campanha de alguns pesquisadores
e ativistas levou um painel federal a expressar
preocupação com o BPA. Houve pânico. Bebês tomam água em
garrafas de BPA, afinal. A Nalgene já anunciou que não
utilizará mais o BPA em suas garrafas. A má
não deixa outra escolha. Mas continuarei a usar a
garrafa Nalgene que me acompanhou pelo mundo todo. E
receberei no tapa quem quer que chegue para tentar
recolhê-la.
7. Tubarões mortíferos
No mundo todo, em 2007, houve um ataque fatal por
tubarão, no Pacífico Sul, de acordo com o Arquivo de
Estatísticas sobre Ataques de Tubarões da Universidade
da Flórida.
8. O gelo desaparecido do Oceano Ártico
O nível de derretimento do gelo do Oceano Ártico no
verão do ano passado foi ruim o bastante, mas as
notícias pareciam ser ainda piores no trimestre passado,
com alguns cientistas prevendo que não haveria gelo
sobre o Pólo Norte pelo final do verão de 2008.
Até agora, porém, o verão ártico está mostrando mais
gelo do que no ano passado. As tendências de longo prazo
quanto ao Ártico ainda podem preocupar. Mas o turista
pode relaxar, ao menos por este verão.
9. A massa desaparecida do universo
Mesmo que o destino do universo ¿ seja uma expansão
constante ou um colapso cataclísmico - dependa da
quantidade de matéria escura que está presente lá fora
em algum lugar, pode ficar seguro de que ninguém vai
culpá-lo pelo desaparecimento dela.
10. Os wormholes não identificados
Será que suas férias de verão poderiam ser interrompidas
por um súbito mergulho em um wormhole (literalmente,
buraco de verme)? Com base em minha análise bastante
limitada da teoria do espaço-tempo e do que aprendi
assistindo ao filme "Jumper", eu certamente teria de
afirmar que é uma possibilidade que não se deve
descartar.
Também reconheceria que, caso o wormhole conduza alguém
em uma viagem a um universo desconhecido, a chance de
que a bagagem se extravie parece considerável.
Mas ainda assim, se eu fosse você não me preocuparia
muito. Em um universo paralelo, você não teria de passar
o resto do ano se preocupando com o paradeiro da matéria
escura ou com roedores doentes. E talvez fosse até
possível comprar uma garrafa nova da Nalgene.
The New York Times