Conheça alguns 'bons papais' do reino animal
O instinto paternal parece ser um privilégio apenas
dos humanos, mas no reino animal alguns 'bons papais'
chamam a atenção. Assim como os homens, alguns animais
também cuidam de seus filhos dividindo, ou até tomando
para si, a responsabilidade com os pequenos.

Segundo a bióloga Marta Elena Fabián, Doutora em
zoologia e Diretora do Departamento de Zoologia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), "as
espécie têm diferentes estratégias evolutivas que podem
incluir o cuidado com a prole, segundo o que é mais
vantajoso para cada uma". E quando existe este cuidado
com os filhotes - chamado 'cuidado parental' -
geralmente se dá através da mãe.
Para algumas espécies, porém, o melhor é que os dois,
pai e mãe, se revezem nestes cuidados; e para outras, a
forma encontrada para garantir a evolução é que o pai
tome conta sozinho da cria. "Nestas casos é mais
importante para a espécie que a fêmea esteja livre para
reproduzir-se novamente", afirma a bióloga.
Vários machos de espécies de mamíferos e aves apresentam
este comportamento de cuidado parental, zelando pela
alimentação e proteção dos filhotes. Algumas aves do
Patologia masculino, inclusive, constroem o ninho e cuidam
dos ovos na ausência da fêmea.
Estas duas classes são mesmo as campeãs em cuidados dos
machos com os filhotes no reino animal, mas não as
únicas.
Um dos mais curiosos papais da natureza - por exemplo -
é um anfíbio, o sapo dos dedos azuis (Colostethus
caeruleodactylus). Esta espécie de sapo tem um
comportamento de cuidado parental tão complexo quanto o
das aves ou dos mamíferos, informou o Departamento de
Zoologia da UFRGS. Nesta espécie, a relação paternal
envolve a presença direta do pai, que constantemente
limpa o ninho, hidrata os ovos urinando sobre eles e
defende o território contra predadores.
Entre 25 a 40 dias depois do nascimento dos girinos, o
macho 'chama' seus filhotes para carregá-los até a água.
Um a um, os pequenos vão subindo às costas do papai que
os leva de uma só vez para o local onde poderão se
desenvolver. O número médio de girinos sendo carregados
é de 24, mas pode chegar a até 48.
Para Aline Quadros, bióloga do Departamento de Zoologia
da UFRGS, outro bom exemplo é o cavalo-marinho. "É
interessante porque é o macho que carrega os ovos em vez
da fêmea. Ela deposita-os numa espécie de bolsa ventral
que o macho carrega, onde são incubados até o nascimento
dos filhotes, já completamente formados", informou.
O período de pregnância em cavalos-marinhos varia com a
espécie e temperatura da água. Para a espécie brasileira
H. reidi, este período se estende de 12 a 20 dias,
dependendo da temperatura. No nosso clima tropical, o
macho fica cerca de 12 dias carregando os filhotes.
Segundo a bióloga, existem muitos outros exemplos de
"papais carinhosos" na natureza, entre eles, insetos e
opiliões (animais semelhantes às aranhas), onde os
machos geralmente constroem o ninho e cuidam dos
filhotes. "Os machos de algumas espécies de aves ficam
responsáveis por buscar comida para os filhotes e também
defendem o ninho a todo custo para que nenhum predador
se aproxime", lembrou.
Semelhanças com os homens
Mas os animais que apresentam comportamento mais
parecido com o dos homens são mesmo os outros primatas.
Segundo Eduardo Ottoni, etólogo do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal de São Paulo (USP),
"entre os primatas, a espécie humana é a única que
investe de forma extrema em instinto paternal". Porém,
os saguis podem ser considerados bons pais, segundo o
especialista.
Os sagüis machos fornecem geralmente tanto cuidado
parental quanto as fêmeas, mais que elas em alguns
casos. Esta espécie formar uma microestrutura familiar,
que se constitui no casal reprodutor e suas proles. As
fêmeas de sagüi normalmente têm dois filhotes a cada
gestação. O macho sempre carrega um dos pequenos,
enquanto a fêmea carrega o outro. Os bebês só trocam de
colo na hora de mamar, afirma o etólogo.
Outros "bons papais"
Pinguim - Normalmente, os pinguins machos ficam com o
ovo e o aquecem enquanto a fêmea sai em busca de
alimento para o filhote que está para nascer. Quando a
fêmea retorna, os papéis se invertem e é a vez do papai
pinguim conseguir o alimento.
Peixe-palhaço - Na época de reprodução, o macho 'arruma'
uma área sobre uma rocha próxima à anêmona que o casal
escolhe como 'casa'. E ali a fêmea põe seus 300 a 700
ovos, que são vigiados pelo macho até o nascimento. Além
disso, na presença de predadores, os papais de
peixe-palhaço cuidam dos alevinos colocando-os na boca
até o perigo passar.
Cisne de pescoço preto - os machos desta espécies chamam
a atenção pela dedicação com os filhotes, enquanto a mãe
sai em busca de comida. "O macho fica responsável por
cuidar do ninho e proteger o território nos momentos em
que a fêmea sai para caçar. Além disso, o casal se
reveza no transporte dos filhotes, carregando-os de um
lado para o outro nas costas até que eles aprendam os
primeiros passos", segundo o. biólogo Marcelo Linck, do
Zoológico de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul.
Avestruz - Os machos vivem em verdadeiros haréns, pois
para cada macho há cerca de sete fêmeas. Enquanto elas
botam os ovos - em média 50 por estação -, eles se
encarregam de chocá-los. Tomam conta dos filhotes e
cuidam da cria até a idade adulta.
Lobo-guará - Os machos são os responsáveis pela
alimentação da fêmea e de todos os filhotes. Enquanto a
mãe fica com os filhotes, o macho sai do ninho para
caçar e trazer comida.
Pica-pau - O macho pode ficar vários anos com uma mesma
fêmea. Nesse meio tempo, constróem o ninho juntos e se
revezam na chocagem dos ovos. Os filhotes são muito
dependentes dos pais após o nascimento e precisam que o
pai busque o alimento, triture-o e o coloque em seus
bicos.