Marcas 'vistosas' podem confundir predadores
Muitos animais empregam a camuflagem como forma de
escapar a predadores, com marcas que os ajudam a
desaparecer em meio ao fundo de modo que predadores não
consigam distingui-los. Mas pode haver uma outra
abordagem, na verdade oposta, para manter os predadores
intimidados.
Alguns animais têm marcas vistosas, como listras,
ziguezagues ou outros padrões de alto contraste, em sua
pele ou pêlos, e se acredita que isso dificulte para um
predador determinar sua velocidade ou trajetória, quando
o animal se coloca em movimento.
Havia poucas provas experimentais que indicassem se essa
tese procede, até agora.
Para testar a idéia, Martin Stevens, da Universidade de
Cambridge, na Inglaterra, e seus colegas desenvolveram
um jogo de computador no qual seres humanos agem como
predadores e tentam capturar presas que portam
diferentes variedades de marcas.
Como apontam os pesquisadores em estudo publicado pela
Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences,
as presas camufladas eram as mais difíceis de capturar.
Mas as presas com marcas vistosas também eram difíceis
de apanhar, especialmente quando se movimentavam em
velocidade elevada e diante de panos de fundo mais
heterogêneos.
Os pesquisadores afirmaram que, à medida que as presas
se movimentavam, no jogo, os padrões de alto contraste
não tendiam a ganhar tom unificado e maior uniformidade,
o que descarta a idéia de que essas marcas se tornam uma
espécie convencional de camuflagem quando o animal
portador se movimenta rápido.
Mas os pesquisadores dizem que as marcas funcionam,
embora eles não saibam por quê, da mesma forma que
certos padrões de tecido criam uma ilusão de movimento.