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Grupo decifra o genoma das 12 espécies
conhecidas de drosófila
Nunca antes neste planeta tantos pesquisadores
fizeram um esforço tão grande para decifrar o material
genético de uns bichinhos aparentemente tão sem
importância. Mais de 200 cientistas de 14 países,
inclusive o Brasil, seqüenciaram e compararam o material
genético de todas as doze espécies conhecidas de
moscas-da-fruta do gênero Drosophila.

É a primeira vez que todo um grupo de seres vivos tão
próximos tem revelados seus genomas (conjuntos do
material genético de cada organismo), o que permitirá
novas descobertas sobre a evolução.
Seria equivalente a ter o genoma do ser humano e de
todos os hominídeos fósseis, ou de todos os primatas. Os
primeiros oito artigos científicos sobre o estudo estão
publicados na revista "Nature" de hoje.
Os dados "representam o primeiro exemplo significativo
do poder da genômica evolutiva, que será um tema central
de pesquisa", escreveu na "Nature" o pesquisador Ewan
Birney, do Instituto Europeu de Bioinformática.
"A drosófila é um organismo-modelo e é muito mais
próxima dos humanos do que se pensava antigamente. Tem
uma organização genômica muito sofisticada", diz Vera
Valente, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
uma das autoras brasileiras do estudo.
Comparação
O seqüenciamento do genoma das espécies de drosófila
permitiu criar uma "árvore de família" da sua evolução.
Outro pesquisador brasileiro, Antonio Bernardo de
Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
analisou os genes do cromossomo "Y" das drosófilas --o
cromossomo sexual masculino, também presente no ser
humano.
Mas, se no homem o "Y" parece ser uma versão empobrecida
do "X", menor e com bem menos genes, nas drosófilas o
cromossomo masculino parece ter evoluído em separado.
"Não está ainda claro o porquê."
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