PMDB orienta bancada a votar a favor da CPMF;
dois contrariam partido
Por maioria, o PMDB decidiu hoje orientar a bancada
do partido no Senado a votar a favor da PEC
(proposta de emenda constitucional) que prorroga a
cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira) até 2011. Pelo menos dois
senadores, entretanto, avisaram que vão contrariar a
orientação: Mão Santa (PI) e Jarbas Vasconcelos
(PE).
A decisão do PMDB foi tomada durante reunião da
bancada do PMDB no Senado. Dois senadores se
abstiveram: Renan Calheiros (AL) e Pedro Simon (RS).
Renan, contudo, informou que vai votar a favor da
prorrogação da cobrança da CPMF.
Apesar da decisão favorável à CPMF, os senadores do
PMDB querem pressionar o governo a reduzir a
alíquota do tributo de 0,38% para 0,36% a partir de
2008. Segundo o PMDB, essa redução representaria uma
renúncia fiscal de R$ 2 bilhões.
"Já avançamos muito até agora nas negociações, mas
tenho certeza que há espaço para flexibilizar mais
ainda. Tudo o que foi acertado com o PSDB será
mantido, mas dá para aceitar um pouco mais com a
redução da alíquota", disse o líder do PMDB no
Senado, Valdir Raupp (RO).
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR),
afirmou que o objetivo do partido é assegurar a
redução da alíquota em 2008 para, posteriormente,
discutir novas diminuições na arrecadação da CPMF em
meio à reforma tributária.
"A bancada fechou questão para a votação da PEC para
aprová-la como veio da Câmara. Além de incorporar
avanços, queremos redução linear da alíquota da
CPMF", afirmou Jucá.
Raupp disse acreditar que a redução de 0,02 ponto
percentual na alíquota da CPMF em 2008 poderá ser
adotada pelo governo através de medida provisória
--já que os governistas não querem mexer no texto já
aprovado na Câmara porque isso forçaria o seu
retorno para nova votação dos deputados.
Como a vigência da CPMF termina dia 31 de dezembro
deste ano, o governo corre contra o tempo para
aprovar a matéria antes do final do ano.
Negociação
Maior bancada do Senado, o voto do PMDB é importante
para o governo --que precisa aprovar a prorrogação
da CPMF o quanto antes. O PMDB tem 20 senadores.
A bancada do PSDB, que conta com 13 senadores,
decidiu rejeitar o acordo oferecido pelo governo em
troco do apoio à PEC da CPMF.
Apesar do governo buscar votos pró-CPMF dentro da
base aliada, Jucá reconheceu que as conversas com a
oposição vão continuar --mesmo com a disposição do
PSDB em não aceitar as ofertas do Palácio do
Planalto em troca do apoio à prorrogação do imposto
do cheque.
"Independentemente de procurar na base aliada os 49
votos necessários para a aprovação da PEC, vamos
ampliar a busca de votos com a oposição. O momento é
de fechar com a base sem esquecer do PSDB", afirmou
Jucá.