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Mercado de carbono pode reduzir 70% do
desmatamento, diz estudo
Custa muito pouco reduzir 70% do
desmatamento na Amazônia. Um novo cálculo
feito por uma ONG, que será apresentado
nesta quarta-feira em Brasília, estima que a
maior parte da devastação --e das emissões
de carbono dela decorrentes-- pode ser
contida a menos de US$ 10 por tonelada de
carbono.
Esse é o valor que deveria ser pago a
produtores rurais em várias regiões do Norte
do país para que deixar suas florestas em pé
fosse mais lucrativo do que derrubá-las para
dar lugar a pasto e lavoura.
A conta, explique-se, leva em consideração
um fato econômico ainda inexistente: um
mercado de carbono no qual a redução do
desmatamento pudesse valer créditos para
países como o Brasil, que detêm florestas
tropicais e que têm na destruição destas uma
fonte importante de emissões dos gases que
causam o aquecimento global (dois terços das
emissões brasileiras vêm dessa fonte).
Tal mercado, no entanto, não é um delírio de
ambientalistas: uma coalizão de países
tropicais deve colocar sua criação na mesa
no mês que vem, numa reunião na Indonésia
que começará a definir os rumos da proteção
ao clima depois de 2012, quando expira o
Protocolo de Kyoto.
E o Banco Mundial lançou neste ano um fundo
experimental para comercializar o carbono de
florestas --baseado justamente na lógica de
que, em algumas regiões, não desmatar faz
muito mais sentido do ponto de vista
econômico.
Estratégia
O novo cálculo foi feito por pesquisadores
do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da
Amazônia) e do Woods Hole Research Center,
nos EUA. Ele integra o relatório "Três
Estratégias Fundamentais para a Redução do
Desmatamento", que será lançado hoje na
Câmara dos Deputados.
"Nós calculamos o chamado custo de
oportunidade, ou o quanto se deveria pagar
para um proprietário em terra privada com
aptidão agrícola para não desmatar, mais um
fomento a povos da floresta para a proteção
de terras indígenas com dignidade e boa
qualidade de vida [para os índios]", afirmou
Paulo Moutinho, diretor de Pesquisa do Ipam.
O estudo econômico, do qual o Ipam prepara
uma versão aprofundada, estabelece um teto
para a chamada "redução factível" do
desmatamento, ou seja, aquela que pode ser
obtida sem prejuízo de atividades econômicas
rentáveis.
"A curva de custo não é linear", diz
Moutinho. "Para evitar emissões por fogo
florestal e queimadas o custo é muito baixo.
À medida que você adiciona nessa curva o
custo de não formar pasto em áreas
marginais, o custo é pequeno. Até que você
entra numa parte onde o custo sobe
exponencialmente, que é a região mais apta à
soja, onde manter floresta por opção
[econômica] seria burrice."
Moutinho diz que o valor a ser pago é baixo
--cerca de metade do preço da tonelada de
carbono no mercado hoje--, o que tornaria o
carbono de florestas uma opção atraente para
países que tenham metas de redução a cumprir
por Kyoto.
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