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Russos tentam limpar mar Negro após
catástrofe ecológica
da France Presse, em Porto Kavkaz (Rússia)
Centenas de soldados russos foram enviados
nesta terça-feira para limpar as margens do
mar Negro, afetadas pelo naufrágio de um
petroleiro que provocou um vazamento de
2.000 toneladas de combustível depois de se
partir ao meio no domingo (11), em meio a
uma tempestade.
O acidente matou mais de 30 mil pássaros e
um número inestimável de peixes, segundo
Alexander Tkachev, governador da região de
Krasnodar, citado pela agência Interfax. As
aves afundaram devido a quantidade de óleo
que se derramou sobre a costa ou foram
arrastadas para a areia.
Alexander Natruskin/Reuters

Pássaro sujo com óleo próximo ao porto de
Kavkaz, na Rússia; contaminação do mar Negro
matou mais de 30 mil pássaros
As autoridades temem ainda uma "catástrofe
ecológica" em um momento em que o litoral
sul da Rússia continua castigado por fortes
ventos de mais de 140 km/h.
A região de Porto Kavkaz, zona comercial
situada 1.200 km ao sul de Moscou, continua
sendo a mais afetada pelo mau tempo.
Cerca de 200 membros das equipes de
emergência tentam retirar as placas de
combustível em meio às areias da praia de
Tuzla.
As equipes de socorro encontraram na véspera
os corpos de três marinheiros do naufrágio
de cinco cargueiros, um dos quais
transportava enxofre e outras substâncias, o
que pode ser um dos maiores desastres
ambientais dos últimos tempos.
Os três corpos usavam coletes salva-vidas e
foram encontrados no Estreito de Kerch.
Resíduo
O mau tempo dificulta as operações de
recuperação de 3.000 toneladas de mazut
(resíduo de destilação do petróleo) contidas
num navio-tanque, o Volgoneft 13, de
propriedade da companhia russa Volganeft,
que já deixou escapar para o mar cerca de
1.300 toneladas de combustível.
Oleg Mitvol, o número dois da agência de
vigilância ecológica do governo russo,
chegou na segunda-feira (12) à região, onde
a Rússia e sua vizinha Ucrânia criaram uma
célula de crise comum.
Acidente
A violenta tempestade que atingiu no domingo
o mar Negro afundou cinco navios russos,
sendo quatro cargueiros e um navio-tanque
que se partiu em dois.
O último navio a naufragar foi o cargueiro
Kovel, de bandeira russa, que transportava
enxofre. O navio afundou no estreito de
Kertch, que separa a Criméia da costa russa.
O cargueiro começou a fazer água depois de
bater contra um outro cargueiro russo, o
Volnogorsk, que transportava 2.400 toneladas
de enxofre e também afundava, segundo o
ministério.
A tripulação do Kovel foi resgatada num
barco de salvamento. No total, 35 pessoas
que estavam a bordo dos quatro cargueiros
russos foram salvas. Já os oito membros da
tripulação do navio-tanque Nakhitchevan
estão desaparecidos, indicou o ministério
russo.
Na Rússia, uma investigação foi iniciada
para averiguar a "poluição do mar" após os
naufrágios, indicaram as autoridades.
Suspeita
A investigação vai verificar como os
capitães dos navios e os responsáveis dos
portos agiram diante da tempestade, indicou
Elena Velikova, uma autoridade de Krasnodar,
no sul da Rússia, citada pela agência
Itar-Tass.
Várias organizações não-governamentais de
defesa do meio ambiente denunciaram "uma
catástrofe ecológica", considerando que o
combustível e o enxofre podem poluir
gravemente a água e os litorais.
Vladimir Sliviak, diretor da organização
Ekozashchita, acredita que limpar a poluição
das águas levará um longo período de tempo e
suas conseqüências serão sentidas durante um
ano ou mais.
A quantidade de combustível vertido no Mar
Negro parece pouca em comparação à mancha
negra ocorrida em 2002 frente ao litoral
espanhol.
O Prestige, um velho petroleiro liberiano
com bandeira das Bahamas, naufragou em 19 de
novembro de 2002 nas costas da Galícia e
mais de 50.000 toneladas de sua carga
vazaram para o oceano, poluindo milhares de
quilômetros das costas na Espanha e França.
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