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Cientistas desvendam mistério
dos sons do oceano
Dave Hansford
Cientistas neozelandeses afirmam ter comprovado que essas espinhosas criaturas
marinhas são as responsáveis por um misterioso ruído escutado sob a água duas
vezes por dia. O ruído de 20 a 30 decibéis é causado pelos dentes das criaturas
espinhosas raspando nos recifes, enquanto seus familiares famintos, as
estrelas-do-mar, se alimentam de algas e invertebrados.

Craig Radford e Andrew Jeffs, biólogos marinhos da universidade de Auckland,
solucionaram o mistério durante um estudo do som ambiente nos recifes do norte
da Nova Zelândia. A dupla gravou dois grandes picos em intensidade de som por
dia.
O primeiro ocorre logo antes do anoitecer, o outro antes do nascer do sol.
Radford disse que os ouriços-do-mar já eram há muito tempo os suspeitos de fazer
o barulho, mas foi necessária uma série de experimentos para confirmar a
suspeita.
"Colocamos alguns ouriços-do-mar em um tanque, os alimentamos com algas e,
então, fizemos a gravação. O barulho que eles produziam aumentava em certas
freqüências."
Essas freqüências batiam com os picos sônicos que a equipe havia gravado no mar.
As freqüências registradas também confirmaram uma série de experimentos
australianos anteriores que usavam a ressonância de Helmholtz, fenômeno ocorrido
quando o ar ressoa ao entrar e sair de uma cavidade - e quando se assopra pela
abertura de uma garrafa criando um tom.
Radford disse que a carapaça dura do animal noturno produzia exatamente essa
ressonância enquanto comia com sua boca de carbonato de cálcio e cinco dentes. O
aparato de mastigação de um ouriço-do-mar é chamado de lanterna de Aristóteles,
uma referência feita pelo antigo filósofo grego sobre a semelhança da boca do
animal com um tipo de lâmpada de cinco lados.
Comedores barulhentos
"O barulho que eles fazem é o som desses dentes raspando nas rochas," Radford
disse. "Um grande ouriço-do-mar terá uma freqüência de ressonância mais baixa,
enquanto um menor terá uma freqüência mais alta. Quando eles emergem das
cavidades rochosas ao anoitecer, provavelmente estão com muita fome, mastigando
de forma bem rápida e barulhenta," disse, acrescentando que o barulho diminui à
medida que a noite avança.
"Eles fazem outra grande refeição antes de dormir" ao amanhecer, disse o
biólogo.
Em recifes de pesca intensiva - onde a diminuição do número de peixes levou ao
aumento do número de ouriços-do-mar - o ruído é muito maior do que em reservas
onde a pesca foi proibida, descobriram os pesquisadores. Ruídos de sintonia e
freqüência similares foram registrados em costas próximas às Bahamas, San Diego,
Califórnia e Austrália.
Chris Tindle, físico da universidade de Auckland, disse que os ouriços-do-mar
fazem mais barulho em noites escuras de lua nova. "É um aumento significativo -
de 20 a 30 decibéis - o que corresponde a um aumento de cem a mil vezes o nível
sonoro do ambiente."
Sinais Sônicos?
"As larvas precisam descobrir o caminho de volta de alguma maneira," afirma
Radford, co-líder do estudo. "Elas têm habilidades natatórias impressionantes -
20 cm/s para um animal de cinco milímetros. Mas precisam de algum tipo de sinal
para se orientar."
Em um mundo de um azul indistinto, disse, "não há referências visuais. Então
concluímos que elas sejam o som."
Tindle, físico especialista em sons subaquáticos, observa que larvas de peixe
foram atraídas por sons em experimentos de laboratório. "Se elas são atraídas
pelo som mesmo estando distantes em mar aberto, ainda não sabemos. Mas achamos
que criaturas marinhas usam os sons vindos de diferentes direções para encontrar
o caminho de volta, para navegar."
Tradução: Amy Traduções
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