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Peixe incapaz de voltar à origem intriga pesquisadores
The New York Times
A lampreia marinha é um peixe incapaz de retornar à sua região de origem, e os
pesquisadores estão tentando descobrir o motivo dessa incapacidade.

As lampreias marinhas são anádromos, ou seja, elas vivem em mar aberto por anos
e depois migram rio acima para se reproduzir. Outros peixes anádromos, como
muitas espécies de salmões, retornam ao rio em que nasceram com o objetivo de
procriar. Mas crescente número de pesquisas parece sugerir que as lampreias do
mar não dispõem dessa capacidade de retorno instintivo às suas águas de origem.
As mais recentes indicações foram obtidas em trabalho de John Waldman, biólogo
do Queens College, em Nova York, e colegas, em trabalho publicado pela Biology
Letters. Eles executaram análises genéticas em amostras de lampreias marinhas
obtidos em rios localizados em diversos pontos da costa leste dos Estados
Unidos.
Caso as lampreias estivessem retornando aos seus rios de origem para procriar,
então ao longo do tempo as diversas populações desenvolveriam diversas pequenas
diferenças genéticas, porque jamais se misturariam.
Esse é o caso com os salmões do Atlântico e com diversas outras espécies de
peixes anádromos. "Mas o que vemos no caso da lampreia marinha, em uma grande
sucessão de exemplos, é que não existem diferenças genéticas entre os diferentes
grupos desse animal", disse Waldman. "De modo que é necessário inferir que não
existe mecanismo de retorno às águas de origem".
Trata-se de um peixe parasita, que se afixa ao dorso de outro peixe e se
alimenta de seu sangue por uma ou duas semanas. "Com o tempo, a população
originária de um determinado rio termina arrastada por todo o oceano", disse
Waldman. De modo que talvez não surpreenda que os animais não se provem capazes
de retornar ao rio em que nasceram para seu ciclo de procriação.
Waldman propõe a teoria de que, em lugar de retornar às águas de origem, os
peixes dependem de indicadores químicos. Outras pesquisas demonstram que as
larvas de lampreias marinhas liberam feromônios na água dos rios, de modo a que
os peixes adultos possam detectar a presença desses indicadores como sinal de
que um determinado rio constitui ambiente adequado para procriação.
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