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Governo estuda retirada de 40
mil "bois piratas" de área de conservação em RO
em Belém
O governo federal planeja a retirada de 40 mil bois "piratas" de uma unidade de
conservação em Rondônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 25% da área da
unidade já foi transformada em pastagem.
Se a operação for realizada, precisará ser muito maior do que a primeira ação
para apreender animais criados em locais reservados à preservação, feita em
junho, quando 3.500 cabeças de gado foram apreendidas na Estação Ecológica Terra
do Meio, no Pará.
Aqueles bovinos só foram negociados após alguns leilões fracassarem, por falta
de participantes. À época, o governo federal foi acusado pelo setor pecuarista
de cuidar mal dos bois, e rebateu dizendo que os criadores boicotaram a venda.
A idéia, segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), é que a área já esteja
totalmente sem bois até outubro.
A Flona (Floresta Nacional) Bom Futuro também é alvo do setor madeireiro.
Segundo dados do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis), 30 caminhões saem diariamente da unidade de conservação
carregados de toras.
Criada em 1988, ela começou a ser ocupada há dez anos. De acordo com o deputado
federal Eduardo Valverde (PT-RO), que foi recebido por Minc para discutir a
operação, a situação foi criada por omissão do Estado, que conhecia a existência
da comunidade, mas não fez nada para coibir seu crescimento.
Nela existe um pequeno núcleo urbano, com comércio, igrejas e escolas
comunitárias. Segundo a legislação ambiental, uma Flona só pode ser usada para
extrativismo controlado, visitação e pesquisa.
De acordo com o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), a Bom
Futuro, com 32% dos seus 249 mil hectares desmatados, é a unidade de conservação
federal vice-líder em devastação dentre as UCs (unidades de conservação)
federais.
O ministro disse que gradualmente a população que ocupa a reserva será retirada
e encaminhada para outras áreas. Entretanto, o Ibama admite dificuldades para
realizar o trabalho.
A operação foi definida após discussões com o governador de Rondônia, Ivo Cassol
(sem partido), que, disse Minc, resistiu no início a apoiar o plano.
O governador, por meio da sua assessoria, afirmou que está apenas defendendo os
direitos dos moradores do local.
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