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Número de espécies da flora
brasileira ameaçadas de extinção quadruplica em 16 anos
O número de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção passou de 108
espécies, em 1992, para 472 espécies, mais do quadruplicando em um período de
apenas 16 anos. Os dados fazem parte da nova Lista Oficial das Espécies da Flora
Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pela Fundação Biodiversidade, sob
encomenda do Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com a lista, os biomas com maior número de espécies ameaçadas são as
da mata atlântica (276), do cerrado (131) e
da caatinga (46). A Amazônia aparece com 24
espécies, o pampa com 17 e o Pantanal com apenas duas. A disparidade de números
em relação às 472 espécies hoje ameaçadas é justificada pelo fato de que algumas
espécies aparecem em mais de um bioma
Ao comentar os resultados da lista divulgada, o ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, reconheceu que há uma preocupação maior com as espécies da mata
atlântica, o bioma mais ameaçado, embora também haja outros que estão seguindo
na mesma direção.
"Sem dúvida que a mata atlântica é o mais ameaçado, mas também há outros biomas
seguindo na mesma direção: o cerrado é um bioma que também está muito ameaçado,
o que está levando o Ministério do Meio Ambiente a lançar um plano de defesa do
cerrado. As pessoas falam muito da Amazônia, mas o cerrado está muito ameaçado e
também a caatinga, que está sendo destruída em um ritmo ainda mais agressivo do
que a Amazônia", disse Minc.
No que se refere às regiões brasileiras, o Sudeste apresenta o maior número de
espécies ameaçadas, com 348; seguido do Nordeste, com 168; do Sul, com 84; do
Norte, com 46; e do Centro-Oeste, com 44 espécies. Neste contexto, segundo a
lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, os estados com o maior número
de espécies ameaçadas de extinção são Minas Gerais (126), Rio de Janeiro (107),
Bahia (93), Espírito Santo (63) e São Paulo (52).
A primeira Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção
foi editada em 1968, com a inclusão de apenas 13 espécies nessas condições. Em
1980 foi publicada uma nova lista, com a inclusão de mais 13 espécies. Tanto na
lista de 1992 como na de 2008 existem doze espécies de importantes madeireiras
ameaçadas de extinção, tendo sido adicionada a esta última lista apenas uma
espécie: o "pau-roxo" (Peltogyne maranhensis), da Amazônia.
Entre as outras espécies de uso econômico incluída na lista estão algumas de
fator alimentício (caso do palmito); medicinal (jaborandi); cosmético (pau-rosa)
e também ornamental. Tanto o pau-rosa como o jaborandi já constavam da lista de
1992.
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