|
Desmatamento gera mais perdas
para economia do que mercados, diz estudo
A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das
florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um
estudo encomendado pela União Européia.
A pesquisa, "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em
inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os
desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O
número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água
limpa e a absorção do dióxido de carbono.

O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de
Conservação, que está sendo realizado em Barcelona.
Em entrevista à BBC News, o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, enfatizou
que o custo com a degradação da natureza está ultrapassando o dos mercados
financeiros globais. "O custo não é apenas maior, ele é contínuo", disse Sukhdev.
"Enquanto Wall Street, segundo vários cálculos, tenha perdido entre US$ 1
trilhão a US$ 1,5 trilhão, estamos perdendo capital natural no valor de pelo
menos US$ 2 a US$ 5 trilhões todos os anos".
Pobres
O relatório foi iniciado na Alemanha quando o país ocupava a presidência
rotativa da União Européia, com fundos da Comissão Européia.
A primeira, concluída em maio, apontou que as perdas com a destruição das
florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Segundo o
economista, para entender as conclusões do estudo é preciso saber que à medida
que as florestas são destruídas, a natureza pára de fornecer serviços que
normalmente oferecem de graça.
Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços, seja pela
construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono
ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Ainda
segundo os dados do Teeb, os gastos com a degradação do ambiente recaem mais
sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente da
floresta, principalmente nas áreas tropicais.
Para as nações do Ocidente, as maiores gastos se refletiriam com as perdas dos
elementos absorvedores naturais dos gases poluentes.
O relatório tomou como base o Stern Review, um estudo divulgado em 2006 na
Grã-Bretanha, que analisa o impacto econômico do aquecimento global e afirma as
mudanças climáticas podem causar o mais profundo e extenso dano à economia
mundial já visto.
"Os dados divulgados no Stern Review fizeram com que os políticos acordassem
para a realidade", afirmou Andrew Mitchell, diretor do Programa Global Canopy,
uma organização que canaliza recursos financeiros para a preservação florestal.
"O Teeb terá o mesmo valor, e mostrará os riscos que nós corremos se não os
avaliarmos corretamente".
Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de
convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em
vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.
|