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Ibama permitiu madeireira dentro
de assentamento do Incra
EDUARDO SCOLESE
, em Brasília
Autor da lista que apontou os cem maiores desmatadores do país, o Ibama avalizou
a presença de uma madeireira dentro do assentamento do Incra que lidera o
polêmico ranking.
A Folha teve acesso ao certificado de regularidade emitido pelo instituto à
madeireira Mascarello, com sede na agrovila do assentamento Nova Fronteira, em
Tabaporã (MT)

Esse documento é um dos papéis obrigatórios usados pela empresa na busca de
licenças no órgão ambiental do Estado --a Secretaria do Meio Ambiente. O
documento do Ibama identifica a madeireira no endereço do assentamento Nova
Fronteira, no norte do Estado, e trata como ativa a sua situação cadastral no
órgão federal.
Com esse aval do Ibama, a madeireira obteve três licenças: prévia, de instalação
e de operação. Todas emitidas em abril e válidas até o mesmo mês de 2011. Nessas
licenças, a atividade principal da madeireira é descrita como "serraria com
desdobramento de madeira".
Divulgada no final do mês passado pelo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), a
lista incluiu oito assentamentos do Incra entre os cem principais desmatadores
do país, sendo que seis deles, todos de Mato Grosso, lideravam o ranking.
A
da lista causou um mal-estar entre as áreas ambiental e agrária do
governo. O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e o presidente do
Incra, Rolf Hackbart, foram a público reclamar da metodologia utilizada, que não
dividiu o total desmatado na área pelo número de assentados, o que, na prática,
empurraria os assentamentos para o fim da relação.
Criado em 1997, o assentamento Nova Fronteira, de 65,3 mil hectares e com 963
famílias, teve 49,6 mil hectares desmatados. Por conta disso, o Ibama aplicou
uma multa de R$ 50 milhões, mas que será revertida em ações para a recuperação
das áreas degradadas.
No início da tarde de ontem, questionado sobre como emitir um documento de
situação ativa de uma madeireira fixada dentro de um assentamento, o Ibama não
se manifestou.
Já a Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso informou que "a madeireira
possui essas três licenças por ter cumprido os requisitos para obtê-las". A
madeireira apareceu em reportagem do "Fantástico", da Globo, no domingo. No dia
seguinte, o Incra afirmou que servidores notificaram a madeireira e que as
atividades foram paralisadas. Ontem, o Incra disse que sua área jurídica "está
examinando a regularidade dessas atividades econômicas na agrovila, visto que a
situação de fato não anula a titularidade da União em toda a área do
assentamento".
Comentários: Brasileiros pagam bilhões de salários, para proteger o meio
ambiente, e fazem ao contrário, roubam o dinheiro publico e de quebra lucram com
a floresta tombada em parceria com madeireiros, tudo legal e protegido pelo
governo e justiça brasileira.
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