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Brasil testa plano para reduzir
carbono na Amazônia
Na Reserva Florestal do Juma,
localizada em uma área remota da Floresta Amazônica, ambientalistas receberão
dinheiro de um banco brasileiro e de uma cadeia internacional de hotéis para
proteger árvores e combater o aquecimento global.
O projeto é visto como um teste inicial a ser acompanhado por doadores em
potencial, a maior parte deles vindos de países ricos, que desejam ajudar a
preservar as florestas tropicais como uma forma de reduzir seus índices de
emissão de gases do efeito estufa, mas que alimentam dúvidas sobre como
acompanhar o investimento e mensurar a eficiência dele.
A cadeia hoteleira Marriott, com sede em Washington, aceitou na sexta-feira doar
US$ 2 milhões nos próximos quatro anos para a Fundação Amazonas Sustentável, que
gerencia o projeto. O dinheiro pretende compensar pela emissão de carbono
provocada por seus clientes no mundo todo e ajudará a fundação a proteger 34
reservas florestais que somam 16,4 milhões de hectares, área já administrada
pela entidade.
"A Amazônia desempenha um papel enorme no combate ao aquecimento global",
afirmou, segundo a fundação, Arne Sorenson, vice-presidente-executivo do
Marriott. Os clientes da cadeia de hotéis serão convidados a doar US$ 1 para o
projeto, disse a entidade. O Bradesco e o governo do Estado do Amazonas doaram
cada um RS$ 20 milhões (US$ 9,4 milhões) para a fundação, criada em dezembro.
O Brasil é um dos maiores emissores de gás carbônico do mundo porque destrói
cerca de 12 mil km² da Floresta Amazônica todos os anos. A maior parte desse
desmatamento é provocado por madeireiras ilegais, assentamentos, criadores de
gado e produtores agrícolas. A queima e a derrubada da mata para criar pastos e
terras aráveis nas florestas tropicais do mundo todo respondem por cerca de 20%
das emissões mundiais de gases do efeito estufa.
Questão de transparência
Vários países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, defendem que o
Protocolo de Kyoto seja revisto a fim de que os responsáveis pela poluição
consigam comprar créditos de carbono pela proteção das florestas. "Nossa
mensagem para o mundo é de que podemos superar os obstáculos relativos à
inclusão das florestas no Protocolo de Kyoto", afirmou Virgílio Viana,
presidente da fundação.
Alguns doadores em potencial preocupam-se com a transparência e a prestação de
contas desse tipo projeto. E citam também a dificuldade em medir a apreensão de
carbono nos esforços de preservação de florestas tropicais. No entanto,
auditorias feitas por terceiros e certificações internacionais da fundação devem
ajudar a afastar tais questões, afirmou Viana, que estudou em Harvard e comandou
a Secretaria do Meio Ambiente do Amazonas.
Em troca de doações, as empresas teriam ganhos em termos de
. "As
empresas fazem isso porque desejam conquistar clientes", disse Viana. "O mundo
está em chamas e os cidadãos conscientes desejam que as empresas façam alguma
coisa a esse respeito", afirmou.
Os 590 mil hectares da Reserva Florestal do Juma receberam o certificado TUV SUD,
concedido por um grupo alemão de verificação. O documento atesta que a reserva
atende aos padrões da Comunidade Climática e Aliança da Biodiversidade, uma
entidade que reúne 20 grandes empresas e grupos ambientalistas.
A fundação afirma ser o primeiro projeto brasileiro em Redução de Emissão de
Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento (RED). Imagens de satélite
serão usadas para documentar a preservação, disse Viana. A fundação espera
angariar ainda mais fundos por meio da venda de créditos de carbono.
No entanto, o governador do Estado do Amazonas, Eduardo Braga, disse que a atual
crise financeira mostra a importância de as empresas investirem diretamente nos
esforços de conservação e de não dependerem apenas dos mercados de cota de
carbono. "O carbono da Amazônia não pode ser tratado como uma moeda nos mercados
financeiros", afirmou Braga na noite de quinta-feira, durante uma cerimônia
realizada em Manaus para lançar a parceria com o Marriott.
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