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Secretário do Meio Ambiente de
SP visita usina, que não assina acordo ambiental
JULIANA COISSI
da Folha Ribeirão
Mesmo com a visita do secretário de Estado do Meio Ambiente, Xico Graziano,
ontem à Usina São Francisco, de Sertãozinho, diretores da empresa esquivaram-se
de assinar o protocolo agroambiental proposto ao setor, que exige principalmente
a eliminação da queima da palha da cana-de-açúcar.
Ontem, a direção do grupo Balbo, que também controla a Usina Santo Antônio,
entregou ao secretário uma carta de intenção de adesão ao protocolo, em que se
compromete a estudar o seu conteúdo --se houver concordância, as duas usinas vão
assinar o protocolo.
Assinado com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), entidade que
representa os usineiros, em junho do ano passado, o protocolo agroambiental
obteve depois, gradativamente, a adesão de cada usina. Atualmente, 152 já
assinaram o documento.
O protocolo prevê, além da redução e eliminação da queima, que a usina se
esforce para recuperar a mata ciliar, faça o reuso da água, proteja as nascentes
de rios e restrinja a utilização de agrotóxicos. Tanto a São Francisco quanto a
Santo Antônio, entretanto, já não praticam a queima, pois têm 100% da colheita
mecanizada.
Segundo o diretor agrícola da usina São Francisco, Leontino Balbo Júnior, a
usina não vê necessidade em assinar o documento porque já segue "muitas das
práticas ambientais".
Para o usineiro, há pontos no protocolo que podem ter impedimento legal. "Você
se responsabilizar por questões ambientais, coisas que acontecem na área do
produtor. A indústria não pode se vestir da autoridade de ir à fazenda do
produtor dar uma de polícia, tomar conta da mata ciliar", disse.
Para Graziano, a carta de intenção assinada pelo grupo pode ser entendida como
uma adesão ao protocolo. "Em certo sentido, elas já cumprem aquilo que é
fundamental", disse. Além da Unica e das indústrias, o governo assinou
protocolos com associações de produtores de cana.
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