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Governo Lula autoriza a
destruição de cavernas ecológicas
O governo federal autorizou a destruição de cavernas no país. Decreto assinado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado ontem no "Diário Oficial
da União" permite, a partir de agora, que milhares de grutas sofram "impactos
negativos irreversíveis".
São cerca de 7.300 grutas identificadas no país. Antes, todas eram protegidas
por lei. Com as mudanças na legislação, cavernas naturais passam a ser
classificadas por quatro critérios de relevância: máximo, alto, médio e baixo.

Apenas as formações de "máxima relevância" deverão ser preservadas. As demais
poderão ser eliminadas desde que haja autorização por parte de órgãos
ambientais.
Pelos novos critérios, grutas com "alta relevância" poderão ser destruídas desde
que o empreendedor se comprometa a preservar duas similares.
Para impactar formações com "média relevância", o empreendedor deverá adotar
medidas e financiar ações que contribuam para a conservação e o uso adequado do
"patrimônio espeleológico brasileiro".
Já cavernas com "baixo grau de relevância" poderão ser impactadas sem
contrapartidas.
Criticada por ambientalistas, que prevêem a possibilidade de destruição de até
70% das formações brasileiras, a nova norma é resultado de quase dois anos de
pressão de empresas, principalmente mineradoras e hidrelétricas --que vêem nas
grutas um "empecilho" à expansão de empreendimentos.

Moradias dos morcegos ameaçados
Para o secretário-executivo da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia),
Marcelo Rasteiro, a nova lei é "absurda, horrível, lamentável".
Tempo recorde
A minuta, enviada há menos de um mês para a Casa Civil, gerou mobilização entre
especialistas do setor. Em 15 dias, mais de 2.500 pessoas colocaram o nome em um
abaixo-assinado e 164 entidades aderiram a um manifesto feito pela SBE para
tentar barrar o projeto.
A Federação Espeleológica da América Latina e Caribe e associações de Colômbia,
Argentina, Paraguai, México e Itália se pronunciaram contra o novo decreto no
Brasil.
"O [ministro] Carlos Minc estava sabendo. Foi enviada também uma carta à Casa
Civil e aos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia pedindo que fosse
aberto um canal de comunicação. Tudo isso foi ignorado. O governo não está
ligando para o que pensa a sociedade", afirma Rasteiro.
O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, afirma que houve
discussões suficientes, mas que as entidades têm o direito de não concordarem
com a versão final da proposta, já que nem todas as idéias discutidas poderiam
ser contempladas no decreto.
Segundo ele, o decreto representa avanço porque, da forma como era antes, a lei
"em tese, protegia tudo e, na prática, não protegia nada".
"Vamos ter algumas dificuldades para definir critérios, mas agora haverá
mecanismos sobre compensações e ações de proteção das unidades", diz.
O ministério terá 60 dias para elaborar a metodologia para a classificação do
grau de relevância das cavernas. Os estudos para definição da relevância serão
pagos pelo empreendedor.
"Há anos que se discute como fazer a classificação de uma caverna e jamais se
chegou a uma conclusão. O ministério vai ter 60 dias para fazer isso. É
impossível. Nem os melhores técnicos serão capazes de fazer algo decente", diz
Rasteiro.
Segundo ele, pontos importantes listados pelo Cecav (Centro Nacional de Estudo,
Proteção e Manejo de Cavernas) foram retirados do projeto final, como o que
previa uma avaliação da importância do empreendimento. "A nova lei parte do
princípio de que qualquer obra é mais relevante que qualquer caverna. Não há
preocupação com o ambiente."
Comentário: O que se pode esperar de
um troglodita que só tem uma coisa em mente, aumento de impostos e viagens.
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