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Bird: aquecimento ameaça
produtividade rural no Brasil
O Brasil vai perder 18% da sua produtividade agrícola até 2050 em conseqüência
do aquecimento global, de acordo com um relatório do Banco Mundial (Bird)
divulgado nesta quarta-feira na reunião das Nações Unidas sobre mudanças
climáticas em Poznan, na Polônia.
No estudo entitulado "Baixas Emissões de Carbono, Alto Crescimento", os
pesquisadores listam os efeitos do aquecimento global sobre os países da América
Latina e do Caribe e apresentam recomendações para reduzir os impactos
negativos.
A queda de 18% na produtividade, prevista pelo modelo de computação usado pelos
economistas, poderia aumentar a pobreza nas zonas rurais brasileiras entre 2% e
3,2%, dependendo da possibilidade de migração das famílias afetadas. Pelo lado
positivo, o Banco Mundial também destaca que, caso invista em mudanças, "a
região pode liderar os países de renda média na redução das emissões de carbono
causadas pelo desmatamento, no desenvolvimento de energia hidrelétrica, na
ampliação da eficiência energética e na reforma do transporte urbano".
"Essa abordagem poderia apoiar simultaneamente a recuperação econômica e
estimular o crescimento nas áreas que atenuam o impacto das mudanças
climáticas", afirmou Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a América
Latina e o Caribe.
Arquitetura internacional
Para isso, os economistas afirmam ser necessária primeiramente uma arquitetura
internacional de combate às mudanças climáticas, ou seja, um acordo
internacional (substituindo o Protocolo de Kyoto) a partir de 2012 que crie
estímulos suficientes para que isso aconteça. Além disso, são recomendadas
mudanças também nas políticas domésticas de forma a adaptar os países aos
efeitos das mudanças climáticas e para tirar proveito das oportunidades que
surgem com o problema.
"Se a região fizer grandes progressos, poderá se beneficiar dos mecanismos
internacionais de compartilhamento de custos para a implementação de tecnologias
com baixa emissão de carbono e a criação de novas vantagens competitivas",
afirmou um dos autores do estudo, Pablo Fajnzylber.
No entanto, os economistas do Banco Mundial admitem que a adaptação e as
mudanças recomendadas não serão fáceis de se executar, principalmente se o preço
do petróleo continuar em queda. Esse é a primeira vez que o banco dedica a sua
publicação anual sobre a região ao tema mudanças climáticas.
O relatório ressalta a "alta vulnerabilidade" da população latino-americana e a
"responsabilidade histórica pelas alterações no clima", mas também destaca as
iniciativas que já existem na região para abordar as emissões, entre elas, os
programas de biocombustíveis brasileiros.
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