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Índios da Amazônia fogem de
madeireiros, terra sem lei e sem governo
Cerca de 300 indígenas nômades da comunidade Awa, da Amazônia, fogem das
retroescavadeiras que cortam a floresta, afirmou nesta quinta-feirao em Madri a
ONG Survival International, que promove uma campanha para, segundo ela, proteger
esta tribo, que afirma ser uma das últimas autenticamente nômades do Brasil.
Segundo um comunicado divulgado pela ONG, os madeireiros, criadores de gado e
colonos invadem a terra dos awa e caçam os animais dos quais eles dependem para
sobreviver, além de expô-los a novas doenças. "Os awa são caçadores formidáveis,
mas necessitam cada centímetro de sua floresta" para suas subsistência, afirmou
Fiona Watson, coordenadora de campanhas da Survival, que visitou alguns destes
índios.

Segundo ela, cerca de 60 membros desta comunidade jamais tiveram contato com
estrangeiros e muitos outros sobreviveram a "terríveis massacres", diz a ONG.
Segundo a ONG, o Governo Federal reconheceu legalmente a terra dos awa no
Maranhão, mas não tomou as medidas necessárias para protegê-la.
Nos anos 1970, a União Europeia e o Banco Mundial financiaram a construção de um
enorme mina de ferro e uma ferrovia na região, o que gerou um grande fluxo de
colonos que contaram com membros desta comunidade indígena. Mais de dois terços
dos awa contatados por trabalhadores governamentais morreram durante esse
período, segundo a Survival.
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