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ONU e cientistas planejam
projeto internacional de biodiversidade
da France Presse, em Nairóbi
Os cientistas pretendem criar um mecanismo internacional especializado em
biodiversidade para serem ouvidos pelas autoridades que tomam decisões nesta
área, como o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). No
entanto, alguns países, como o Brasil, estão relutantes devido à preocupação em
proteger a soberania.
A ONU decidiu, mesmo assim, ir adiante: o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), anunciou nesta quinta-feira (19), em Nairóbi, sua decisão de
organizar uma reunião intergovernamental dedicada a este assunto "o mais rápido
possível em 2009."
Divulgação

ONU e cientistas querem projeto internacional de medição e proteção à
biodiversidade
Atualmente, não existe nenhum mecanismo de análise sobre a erosão da
biodiversidade no mundo. O ministro francês do Desenvolvimento Sustentável,
Jean-Louis Borloo, defendeu o projeto em Nairóbi.
"Claro, existem problemas de soberania, mas precisamos encontrar soluções",
disse.
Mas países como o Brasil ou a Colômbia, que possuem uma fauna e uma flora de uma
riqueza excepcional, manifestaram suas reticências. Outros países, como a China,
questionam a necessidade de adotar uma nova ferramenta, mas já existem diversas
convenções internacionais, como a Convenção sobre a Diversidade Biológica.
"Eles não querem que nós nos intrometamos no que acontece no país deles", disse
Maxime Thibon, especialista da Fundação Francesa para a Biodiversidade, presente
em Nairóbi.
Contrariamente ao clima, que é um fenômeno global, a erosão da biodiversidade é
localizada.
Mas com a complexidade das questões, a comunidade científica responsável por
este assunto é muito fragmentada e, de repente, não consegue se fazer ouvir
pelas autoridades políticas, que são as que tomam as decisões.
O Brasil se defende de querer conter o projeto: "Nós não somos nada contra",
afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em Nairóbi. Ele deseja no
entanto que este futuro mecanismo seja colocado sob tutela da CBD, o que
dificultaria o processo, segundo os defensores desta Ipbes.
Os EUA se interessaram pela ideia, afirmou Daniel Reifsnyder, chefe da delegação
americana na capital queniana.
O ano de 2010 é o limite para o comprometimento internacional para desacelerar a
erosão da biodiversidade.
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