Impacto de seca na Amazônia "supera emissões" de Europa e Japão
A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista "Science".

Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu
drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o
chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo
menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças
climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas
de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por
causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa
quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a
floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores
observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à
seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças
climáticas, mas agora vemos que confiar nesse "subsídio" da
natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da
pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
Mais quente
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do
Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao
monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos
que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram
mais altas do que a média, provocando outras catástrofes
naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada
pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade
das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena
alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo
global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento
global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por
sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e
mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do
mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
