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Pesquisadores encontram gorilas ameaçados de extinção


Uma exaustiva pesquisa nas vastas faixas de florestas e pântanos no norte da República do Congo revelou a presença de mais de 125 mil gorilas, um raro exemplo de abundância em um mundo no qual as populações de primatas desaparecem rapidamente.


No ano passado, essa subespécie do maior primata do mundo tinha sido listada como criticamente ameaçada pelas organizações internacionais de defesa da fauna, porque as populações conhecidas - estimadas em menos de cem mil espécimes nos anos 80 - estavam sendo devastadas por caça e epidemias do vírus Ebola. As três outras subespécies estão criticamente ameaçadas, ou ameaçadas de extinção.

A pesquisa foi conduzida pela Sociedade de Conversação da Fauna e pesquisadores locais em amplas áreas não estudadas, incluindo uma região pantanosa apelidada de "abismo verde" pelos primeiros biólogos que a cruzaram.

O Dr Steven E. Sanderson, presidente da sociedade, ficou maravilhado com o resultado que a pesquisa revelou. "A mensagem de nossa comunidade é tantas vezes de desespero", ele disse. "Ao mesmo tempo em que não queremos relaxar nossas preocupações, é ótimo descobrir que esses animais estão bem".

A sociedade vai divulgar suas descobertas na terça em um encontro da Sociedade Primatológica Internacional, em Edimburgo, na Escócia.

Cientistas da sociedade de conservação dizem que a constante ameaça do Ebola impede uma alteração no status oficial dos gorilas. Mas a descoberta trouxe principalmente animação.

"Essa é a luz no final do túnel que você procura", disse Richard G. Ruggerio, biólogo especializado em conservação no Serviço de Pesca e Fauna dos Estados Unidos. Mas ele chama atenção para o fato de que as grandes populações de gorilas encontradas nas duas trilhas estudadas, que cobrem 18 mil quilômetros quadrados, não devem gerar complacência. "É um tipo diferente de alarme, uma oportunidade que é cada vez mais rara nesse planeta de fazer algo antes de uma crise", ele disse.

Uma outra atualização global sobre primatas vai ser lançada na terça no encontro de Edimburgo, mostrando que - com algumas poucas exceções - a destruição de florestas e, cada vez mais, a caça para obter alimentação, animais de estimação e produtos de medicina chinesa está ameaçando macacos e outros primatas, da República do Congo ao Camboja.

No Vietnã e Camboja, 90% dos primatas - incluindo micos, surilis e langures - são considerados em risco de extinção, disseram cientistas afiliados com a União Internacional para a Conservação da Natureza, que publicou o relatório em parceria com a Conservação Internacional.

"O que está acontecendo no sudeste da Ásia é aterrorizante", disse Jean-Christophe Vie, diretor assistente do programa de conservação de espécies do grupo. "Ter um grupo de animais sob tão alto nível de risco é, francamente, algo completamente diferente do que já registramos em qualquer outro grupo".

Os gorilas das terras baixas localizados na República do Congo estão seguros, por enquanto, mas crescem as pressões sobre a fauna no centro da África, com a alta na demanda por madeira.

O governo congolês criou um parque nacional na região estudada, Ntokou-Pikounda, que abriga 73 mil gorilas, de acordo com as estimativas, mas há pouco dinheiro para operações ou salários.

Sanderson diz a situação é em geral promissora para os gorilas da República do Congo. Além do parque, as madeireiras que operam com licenças de extração ecológica estão trabalhando com o governo e grupos de conservação para preservar o habitat dos animais e limitar a caça.




 

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