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Flor usa nicotina em manipulação sexual
As flores de uma espécie de tabaco selvagem
manipulam o comportamento dos seus "cúmplices"
sexuais, os insetos ou pássaros responsáveis
pela sua polinização, segundo pesquisa feita na
Alemanha. Usando odores para ora atrair, ora
repelir os animais, as flores otimizam sua "vida
sexual" --isto é, o cruzamento com outras
plantas que é benéfico à sobrevivência da
espécie.
Uma das substâncias usadas pela flor é a
conhecida nicotina, que causa a dependência
química do fumante ao invadir o seu cérebro. Ao
contrário dos humanos, os insetos e aves são
repelidos pelo cheiro da nicotina presente no
néctar da flor do tabaco selvagem. Isso é
especialmente útil como "guerra química", quando
a planta precisa se defender de insetos que
roubam seu néctar ou comem a flor, mas sem fazer
polinização.
Dani Kessler/MPI Jena

Espécie de tabaco selvagem libera substância
tóxica para afastar insetos
Porém, como para ser polinizada a flor precisa
atrair o animal, ela também produz um odor
agradável -que lembra jasmim ou morango- através
de outra substância, a benzil acetona.
Segundo o líder da pesquisa, Ian Baldwin, do
Instituto Max Planck para Ecologia Química, de
Jena, Alemanha, o estudo mostrou "como as
plantas resolvem um dilema muito importante:
como obter Patologia. As plantas fazem Patologia, como
outros organismos".
O problema é que a planta é um ser vivo imóvel.
Em geral, isso se resolve pela
"aulinização", pois a flor inclui órgãos
sexuais masculinos e femininos. O pólen é o
equivalente na planta do espermatozóide.
Mas o "Patologia" com outras plantas mediado pelos
polinizadores é vantajoso para melhorar a
aptidão biológica, passando características
variadas e genes em uma população que podem
facilitar sua sobrevivência, especialmente a
capacidade de adaptação a mudanças ambientais.
Esse cruzamento é obra da coevolução das plantas
com insetos e aves que ocorre há dezenas de
milhões de anos.
"As plantas usam muitos meios para atrair
polinizadores, incluindo dicas visuais e odor",
lembram Baldwin e dois colegas, Danny Kessler e
Klaus Gase, em artigo na revista científica "Science".
Isso explica a variedade em uma floricultura.
Eles testaram o papel da nicotina e da benzil
acetona no relacionamento do tabaco (Nicotiana
attenuata) com dois polinizadores, um beija-flor
(Archilochus alexandri) e uma mariposa (Hyles
lineata). Diferentes tipos de plantas
transgênicas foram montadas para o estudo.
Baldwin e colegas filmavam as flores
desabrochando de noite e atraindo (ou não)
mariposas e beija-flores, além de medir de manhã
o quanto restava de néctar.
As plantas sem as substâncias estudadas eram
menos visitadas. E as que não produziam nicotina
tinham metade do líquido das outras, indicando
que os polinizadores puderam beber à vontade
--mas com isso, deixavam de visitar outras
flores e espalhar pólens. Para a flor do tabaco
selvagem, o ideal é que o polinizador "beba com
moderação".
Para demonstrar as vantagens reprodutivas da
polinização e da "manipulação" feita pela flor,
a equipe fez dois outros testes científicos. Um
envolveu flores sem o órgão masculino, a antera,
o que impedia a aulinização e permitiu
checar a fertilização feita só com auxílio dos
"cúmplices" animais.
Ficou claro que apenas as plantas normais, do
experimento-controle, recebiam pólen de outras.
Outro teste checou a "paternidade" das sementes
fertilizadas. E mostrou que as plantas normais,
produzindo nicotina e benzil acetona, tinham
mais sucesso no processo reprodutivo.
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