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Pingüins começam jornada de volta à Patagônia
Depois de mais de três meses sob intensos
cuidados de voluntários no Espírito Santo, um
lote com 70 pingüins de Magalhães iniciou nesta
segunda-feira a jornada de volta à Patagônia,
extremo sul do continente americano. Os animais
começaram a chegar ao litoral capixaba em junho,
trazidos pelas correntes oceânicas que sobem
pela costa brasileira e, desde então, estiveram
sob cuidados de biólogos e veterinários no
Instituto Orca, organização não-governamental
que acolhe essas aves em Vila Velha, e do
aquário Planet Sub, em Guarapari.

Ao todo, cerca de 500 pingüins de Magalhães
foram encontrados na costa do Espírito Santo
durante o inverno deste ano. Cerca de 2/3 das
aves não resistiram ao cansaço e doenças e
morreram, mas o restante recebeu alimentação,
medicamentos e a atenção e carinho de
veterinários. Recuperados da desgastante viagem
de mais de quatro mil quilômetros, eles agora se
preparam para encarar o oceano e voltar para
casa.

A jornada começa com um vôo até Salvador, onde
as aves encontradas no Espírito Santo vão se
juntar a outro grupo, da mesma espécie, que
chegou até o litoral da Bahia. O transporte foi
cedido gratuitamente por uma empresa aérea
nacional. De lá, eles serão levados em um avião
da Força Aérea Brasileira para Pelotas, no Rio
Grande do Sul, e, em seguida, seguem por terra
até a cidade de Rio Grande, onde finalmente
serão devolvidos ao mar. A expectativa dos
voluntários que nos últimos meses cuidaram
desses animais é que a maior parte do grupo
sobreviva e possa chegar até a Patagônia.
"Todos os animais receberam anilhas de
identificação e nós podemos monitora-los, se
foram encontrados por alguém. Eles estão prontos
para serem devolvidos ao ambiente natural.
Fizemos todos os exames necessários e podemos
afirmar que essas aves têm grandes chances de
sobrevivência", afirma o presidente do Instituto
Orca, Lupércio Barbosa.
O trabalho de embarque dos animais para Salvador
foi acompanhado por técnicos do Ibama. "Em
Salvador, uma outra equipe do Ibama estará a
espera desses animais e eles serão alimentados e
hidratados no Centro Chico Mendes, antes de
seguirem viagem", explica Vinicius Queiroz,
analista ambiental do Ibama no Espírito Santo.
Este ano, o Espírito Santo registrou a maior
incidência deste tipo de ave no litoral. Somente
o Instituto Orca recebeu cerca de 500 animais,
mas estima-se que cerca de 1 mil tenham sido
encontrados na costa capixaba. Boa parte
encontrou abrigo e tratamento no aquário Planet
Sub, localizado em Guarapari. O empresário
Sérgio Borgo, dono do aquário, era um dos
voluntários que acompanhou o embarque. "Este é
apenas o primeiro lote. Temos outras 40 aves que
ainda precisam ganhar peso e se fortalecer,
antes de voltarem ao mar. Acredito que em um
mês, elas estarão prontas para começar a viagem
de volta", explica Borgo.
Depois do embarque, o presidente do Instituto
comemorou o resgate dessas aves, mas se queixou
da falta de apoio oficial para este importante
trabalho de preservação ambiental. "Foram três
meses de trabalho árduo, cansativo e de alto
custo. Nós fizemos tudo somente com o apoio de
voluntários e pessoas sensíveis que doaram
medicamentos e comida, mas não recebemos nenhuma
ajuda oficial", queixou-se Lupércio Barbosa.
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