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Esponjas
marinhas projetam luz com fibra ótica
Esponjas marinhas
podem projetar luz dentro de seus corpos e fazem
isso utilizando o equivalente natural à
tecnologia de fibras óticas, de acordo com
cientistas. As esponjas estão entre os mais
antigos e simples animais do planeta. Por isso,a
descoberta de que elas usam um sistema de
transmissão de luz tão futurista entusiasmou os
pesquisadores da Universidade de Stuttgart, na
Alemanha.
O estudo da equipe alemã foi publicado na
revista científica Journal of Experimental
Marine Biology and Ecology. Outros animais
circulam correntes elétricas em seus corpos
usando células nervosas, mas as esponjas parecem
ser os únicos capazes de transmitir luz pelo
corpo dessa forma, segundo os pesquisadores.

Isso pode ajudar a explicar por que algumas
esponjas conseguem crescer tanto e também
esclarece um mistério antigo: como é que outros
organismos menores conseguem sobreviver dentro
dos corpos de esponjas grandes.
Esqueletos de vidro
As esponjas vivem principalmente no mar e são
organismos extremamente primitivos. Não possuem
músculos, nervos ou órgãos internos, por
exemplo, e são em essência um conjunto de
células diversas sustentadas por um esqueleto
rígido. Dois entre os três maiores grupos de
esponjas constroem seus esqueletos usando
estruturas especiais chamadas espículas.
Essas estruturas são compostas pelo mineral
sílica e são, basicamente, minúsculos filamentos
de vidro. Experimentos anteriores revelaram que
a luz pode passar por essas estruturas. Agora, o
cientista Franz Brummar e seus colegas da
Universidade de Stuttgart provaram que as
esponjas usam esses filamentos de vidro como
condutores de luz.
A luz que chega à superfície da esponja é
refletida dentro de cada espícula de forma muito
semelhante àquela como a luz é refletida dentro
de um cabo de fibra ótica usado para a
transmissão de informação eletrônica. A equipe
de Brummer fez a descoberta usando esponjas da
espécie tethya aurantium. Eles recolheram os
animais de mares rasos na costa da Croácia e os
colocaram em tanques com água do mar.
Em um ambiente escuro, implantaram papel
fotosensível dentro das esponjas. Em seguida, os
animais foram expostos à luz. Ao observar o
papel, os pesquisadores verificaram que estava
coberto de manchas que correspondiam exatamente
ao ponto onde a luz deveria sair de cada
espícula.
Nutrientes
Em um outro experimento com esponjas de uma
espécie que não usa espículas de vidro para
crescer, os cientistas não encontraram sinais de
luz entrando no corpo dos animais, o que indica
que as espículas são necessárias para a
transmissão da luz. "Esponjas são animais
fascinantes e há muitas coisas a respeito delas
que esperamos descobrir", disse Brummer.
O cientista diz suspeitar que esponjas que vivem
em águas profundas usam estruturas naturais de
fibra ótica para recolher as mínimas quantidades
de luz que chegam até elas. "Esponjas no mar
profundo podem formar espículas com até um metro
de comprimento e dois centímetros de diâmetro",
afirma Brummer.
Para alcançar tamanhos tão grandes, as esponjas
precisam de nutrientes como carbono e
nitrogênio. Essas substâncias são fornecidas por
organismos menores como algas e cianobactérias,
com os quais as esponjas possuem um
relacionamento simbiótico. Mas esses organismos
menores precisam de luz para sobreviver. Por
causa disse, vivem na superfície das esponjas.
Em 1994, pesquisadores descobriram que algas às
vezes vivem dentro dos corpos das esponjas. Como
elas conseguiam sobreviver naquele ambiente era
um mistério para os especialistas. A resposta
sugerida agora pela equipe de Brummer é que as
algas sobrevivem a partir da luz que chega até
elas por meio das espículas.
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