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Criado afrodisíaco para conter praga de
peixe-vampiro
Cientistas americanos criaram um feromônio
sintético para ajudar a combater uma praga de
lampreias que ameaça a população de peixes dos
Grandes Lagos, na América do Norte.
Pesquisadores da Universidade Estadual de
Michigan em East Lansing usaram uma versão
criada em laboratório do feromônio - substância
química relacionada com a atração sexual entre
seres da mesma espécie - de lampreias machos
para atrair as fêmeas que estava ovulando. Elas
nadaram contra a corrente em direção a
armadilhas.

A lampreia-marinha Petromyzon marinus, chamada
também de "peixe vampiro", é uma parasita das
espécies nativas dos Grandes Lagos, na fronteira
entre os Estados Unidos e Canadá, desde sua
introdução acidental neste ambiente, na década
de 1880.
O principal atrativo da região dos Grandes Lagos
é a pesca recreativa, uma indústria que arrecada
bilhões de dólares por ano. Mas as lampreias
estão ameaçando esta indústria, apesar de um
programa de controle da praga que custa
aproximadamente de US$20 milhões (cerca de R$ 47
milhões) por ano.
O uso dos feromônios está sendo estudado para
eventualmente fazer parte deste programa.
A equipe chefiada por Weiming Li planeja ampliar
a experiência para usar o feromônio sintético em
20 rios que alimentam os lagos, com o objetivo
de atrair lampreias fêmeas para armadilhas. Esta
experiência levará três anos.
O trabalho foi relatado na revista Proceedings
of the National Academy of Sciences.
'Vampiro'
Em geral, o ciclo de vida da lampreia começa em
um rio e a fase adulta é desenvolvida em
oceanos. A lampreia tem uma mandíbula circular
que usa para se unir a peixes maiores.
A lampreia então se alimenta do sangue e fluidos
de seu hospedeiro, freqüentemente matando seu
hospedeiro neste processo. Elas procuram um rio
ou riacho adequado para a reprodução e, segundo
pesquisadores, talvez os feromônios tenham um
papel importante na seleção.
Os números da população de lampreias são
controlados por predadores em seu ambiente
natural, o oceano Atlântico, mas não existem
predadores para elas nos Grandes Lagos.
As lampreias apareceram pela primeira vez na
região no século 19, depois do término da obra
do Canal Erie, que liga os lagos a Nova York - e
ao Oceano Atlântico.
Um século depois, com a construção de outros
canais permitindo o acesso aos lagos, as
lampreias passavam a colonizar os Grandes Lagos
e a provocar o declínio sistemático da população
de peixes nativos.
"Foi uma das piores coisas a atingir os Grandes
Lagos", segundo Marc Gaden, da Comissão de Pesca
dos Grandes Lagos, órgão responsável pelo
controle das lampreias.
"Antes, nós tínhamos uma pesca próspera, que
dependia muito de peixes nativos como a truta do
lago... mas, na década de 40 elas (lampreias)
tinham colonizado milhares de rios e pescadores
começaram a sentir a devastação."
Água doce e salgada
Enquanto muitos peixes sobrevivem apenas em água
doce ou apenas em água salgada, a lampreia
parece ter se adaptado muito bem ao se mudar do
Atlântico para o ambiente dos lagos. Cada uma
devora até 20 quilos de peixe durante sua vida.
A Comissão de Pesca dos Grandes Lagos criou um
programa para tentar controlar a população de
lampreias, com medidas como o uso de pesticidas
específicos para a espécie, construção de
barreiras para evitar sua migração e a liberação
de machos estéreis para conter a reprodução.
Marc Gaden afirma que a pesquisa com os
feromônios seria mais uma ferramenta na luta
contra os parasitas.
"Vemos como uma forma de enganar as lampreias,
você pode manipular seu comportamento contra
elas - por exemplo, você pode atraí-las para
rios onde elas não encontrem um habitat, ou para
armadilhas", disse ele.
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