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Enxame de gafanhotos é estimulado por serotonina,
diz estudo
Os gafanhotos do deserto são animais
originalmente solitários e territoriais Getty
ImagesHenry Fountain

Estados Unidos
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O onipresente neurotransmissor que modera toda
espécie de comportamento em toda espécie de
animais (entre as quais os seres humanos) agora
foi apontado como responsável pela transformação
dos gafanhotos do deserto, animais originalmente
solitários e territoriais, em pragas
extremamente gregárias.
A descoberta, revelada em artigo publicado na
semana passada pela revista Science, pode
resultar em métodos que permitam bloquear a
formação de enxames de gafanhotos.
Essas infestações, capazes de cobrir territórios
de centenas de quilômetros quadrados e envolver
bilhões desses insetos devoradores de vegetação,
podem devastar a agricultura, e combatê-las é
tarefa que ocasionalmente requer gastos de
dezenas de milhões de dólares.
À medida que o suprimento de alimentos das áreas
que eles ocupam se esgota, forçando os animais a
abandonar seus hábitos territoriais e a viverem
mais próximos, os gafanhotos em poucas horas
substituem a fase de repulsa mútua, na qual
evitam os demais gafanhotos, por uma fase de
atração mútua, na qual começam a se unir em
grupos cada vez maiores.
Pesquisas anteriores já haviam identificado os
estímulos sensórios que embasam essa mudança de
comportamento: o cheiro e imagem de outros
animais e o movimento das patas traseiras dos
insetos quando eles começam a disputar espaço.
(Além da mudança de comportamento, acontece
também uma mudança na aparência dos gafanhotos.)
A nova pesquisa, conduzida por Michal Anstey, da
Universidade de Oxford, e por Stephen Rogers,
hoje da Universidade de Cambridge, ambas no
Reino Unido, identifica a base química para essa
mudança de comportamento.
Os pesquisadores descobriram que o cronograma
para a mudança de comportamento se correlaciona
bem com uma elevação dos índices de serotonina
no gânglio torácico, que forma parte do sistema
nervoso central dos gafanhotos.
Eles demonstraram além disse que, se a produção
ou atuação da serotonina fosse bloqueada nos
gafanhotos solitários, esses insetos não
passavam pela mudança de comportamento que os
conduziria à fase gregária.
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