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Rã é nova ferramenta para definir conservação
Foi usada pela primeira vez no Brasil uma
ferramenta que alia o estudo genético de animais
a dados climáticos do passado para identificar
áreas importantes para a conservação da
biodiversidade.
Realizada na mata atlântica, a pesquisa utilizou
três espécies de rã e concluiu que a região mais
importante a ser preservada é o sul da Bahia,
que funcionou ao longo do tempo como refúgio de
espécies.
Ana Carnaval/UC Berkeley

Rã da espécie Hypsiboas semilineatus; pesquisa
concluiu que a região mais importante a ser
preservada é o sul da Bahia
Os pesquisadores modelaram a distribuição dos
anfíbios há 6.000 anos, quando as condições
climáticas eram mais frias e úmidas, e há 21 mil
anos, período frio e seco. Segundo o estudo,
publicado hoje na revista "Science", quanto mais
estável do ponto de vista climático, mais
biodiversa tende a ser a região.
"Fomos capazes de identificar áreas que
funcionaram como refúgios climáticos --áreas de
estabilidade climática, onde as espécies puderam
permanecer ao longo do tempo", afirmou à Folha
Ana Carolina Carnaval, da Universidade da
Califórnia em Berkeley (EUA).
Na pesquisa, foram usadas amostras de DNA de 184
rãs das espécies arborícolas Hypsiboas
albomarginatus, H. semilineatus e H. faber,
encontradas em toda a floresta. A comparação
mostrou que as rãs da parte sul da mata
atlântica tinham menos diversidade genética do
que as da região central.
Segundo Célio Haddad, um dos coautores do
artigo, as áreas importantes para conservação
são em geral definidas a partir da lista de
espécies existentes para essa dada região.
"Isso é razoável. Mas a dúvida que fica é até
que ponto a área protege as espécies ao longo do
tempo. Essa nova ferramenta é mais precisa",
disse o pesquisador do Departamento de Zoologia
da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Optou-se por usar anfíbios no estudo pelo fato
de serem bons "bioindicadores". "Várias espécies
passam parte da vida na água, sob forma de
girinos, e parte na terra, após a metamorfose.
Têm pele fina e permeável, e os ovos não possuem
casca, de modo que são altamente suscetíveis a
mudanças ambientais", disse Carnaval.
Mais atenção
Para a cientista, a porção sul da mata atlântica
vem, historicamente, recebendo mais atenção que
a central. "É importante agirmos no sentido de
documentar e proteger o que resta da diversidade
nessa região."
Ela ressalta, porém, que não se deve frear os
esforços de conservação e estudos em outros
locais. Haddad concorda. "Meu medo é que
resolvam preservar o sul da Bahia e esqueçam o
resto", disse ele.
De acordo com o pesquisador, uma crítica que
pode ser feita ao trabalho é o uso de apenas
três espécies.
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