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Solidariedade de professora salva animais
maltratados
Uma professora de um bairro pobre de Cáli, na
Colômbia, realiza há mais de dez anos um
trabalho considerado um exemplo de solidariedade
para os homens e os animais. Além de ser
proprietária de uma escola, Ana Julia Torres se
dedica a cuidar de dezenas de espécies que foram
maltratadas, feridas e até mesmo esquecidas pela
velhice em um 'sanatório ambiental'.

O centro de reabilitação Vila Lorena - mantido
com recursos próprios de Torres e eventuais
doações de empresas - atende a qualquer espécie
da fauna. Fora a ajuda ao meio ambiente, a
pedagoga ainda faz questão de estimular o
contato dos seus alunos com os animais para que
eles aprendam a respeitá-los.
"Temos bichos mancos, cegos, caolhos, inválidos
e alguns até foram violentados. Chegam em estado
de desnutrição, feridos, queimados, apunhalados,
com tiros", afirmou a professora.
A pedagoga explicou que a instituição abriga
exemplares que foram abandonados pelos donos,
encontrados nas ruas e resgatados de circos em
que eram maltratados em cativeiro. "Neste
momento tenho 800 animais, mas muitos outros
passaram por nossas mãos, já que nem sempre
sobrevivem", contou.
Entre os habitantes ilustres de Vila Lorena,
estão cinco tigres, quatro leões, dez jaguares,
dez pumas, gatos-do-mato, jaguatiricas e águias.
Crime ambiental
Segundo Ana Julia Torres, a história mais cruel
é a de um macaco-aranha que vivia com um
alcoólatra antes de morrer. "Cada vez que o
homem chegava em casa, enchia o animal de chutes
até o dia em que a polícia encontrou no chão uma
poça de sangue e pêlos. Choramos de raiva ao ver
a cena", lembrou.
O macaco perdeu um olho e os dentes com os
pontapés, mas veterinários conseguiram salvá-lo
na época. A violência deixou seqüelas no
primata, que escondia a cabeça entre os membros
no canto da jaula quando escutava os passos de
alguém.
Natureza agradece
Os animais parecem querer retribuir o carinho
dado pela professora em suas andanças pelo
centro de preservação, que já salvou vários da
morte e prolongou o tempo de vida de muitos
outros. "Tinha um elefante caolho que quando me
enxergava com o olho bom vinha me abraçar com a
tromba", relembra. Mesmo caso acontece com os
leões, pois basta Torres se aproximar das jaulas
para os exemplares ficarem em pé para abraçá-la
e lambê-la.
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