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Na onda da ufologia, jovens procuram
Óvnis no céu
Numa noite escura de Alpinópolis, no sul
de Minas Gerais, Vinicios e um amigo subiram a serra
para observar o céu e as estrelas. Estavam dentro do
carro e, de repente, olhando para trás, viram uma
cratera próxima à uma árvore, com luzes coloridas.
"Abrimos o vidro do carro e ouvimos um barulho estranho,
mas ficamos com medo de sair porque a gente não sabia
bem o que era."
Apesar de já ter interesse por astronomia, o estudante,
na época com 16 anos, se tornou obcecado pela ufologia
após esse contato imediato assustador. Hoje, aos 20,
Vinicios Batista Dias criou um site sobre o tema, o UFO
Zone (www.ufozone.com.br). Para manter sua página sempre
atualizada, ele pesquisa arduamente tudo o que encontra
sobre o assunto.

"Procuro investigar um pouco para saber a opinião dos
especialistas em ufologia e depois tirar minhas
conclusões." Entre outras atividades, ele também
monitora satélites, na esperança de se deparar com algum
caso de avistamento.
Eduardo Gomes de Carvalho, 24, é moderador do site
Vigília, um dos muitos encontrados na net sobre o tema.
Carvalho afirma ter tido algumas experiências de
avistamento, mas acha que não há uma resposta concreta
para o que viu. "Talvez fosse um satélite, um balão ou
até mesmo um disco voador", afirma o estudante, natural
de Goiânia.
Paolla e Marcos investigam vida inteligente longe do
planeta Terra
Eduardo diz que seu interesse surgiu a partir de filmes
de ficção científica, mas, conforme ele foi crescendo,
achou a maioria das respostas que procurava em livros de
física, química e biologia.
"Isso, sim, me deixava muito curioso. Na maioria dos
casos não havia nada de anormal ou paranormal, só
bastava ler e entender os fenômenos naturais do nosso
planeta."
O estudante acredita que o caminho para a ufologia é
manter a seriedade no assunto e acompanhar o
desenvolvimento da ciência. "Quem sabe um dia faremos
contato com outras formas de vida."
É isso que esperam Paolla Armani, 23, e Marcos Cianfa,
25, jornalistas recém-formados que realizaram seu
trabalho de conclusão de curso sobre a "cobertura" do
tema pela imprensa. Paolla acha que ainda existe um
preconceito forte em relação ao tema. "Há uma política
de desinformação muito grande e proposital. Alguns casos
são comprovadamente inexplicáveis, existe um
acobertamento. Em Varginha, por exemplo, muita gente viu
os carros do Exército indo e voltando."
Marcos começou a pesquisar o assunto de maneira séria
apenas recentemente, mas afirma que seu interesse vem
desde criança, quando, acompanhado do pai, teve um
suposto avistamento aos dez anos, em frente a sua casa,
em Itapevi.
"Vimos um triângulo, mas na verdade eram três esferas de
luz branca, alinhadas como um triângulo. Elas se abriam
e giravam de modo compassado. Aquilo começou a descer de
uma maneira muito rápida. Eu agarrei no braço do meu pai
e aquilo parou numa altura bem baixa. Subiu de novo bem
rápido, num ângulo de 90 graus."
Quer ver?
Entre os lugares considerados como os mais propícios
para avistamentos de objetos não-identificados no Brasil
estão a Chapada dos Guimarães e o Morro do Chapéu, na
Bahia; a região de Santa Isabel, no Rio de Janeiro; e
algumas cidades do litoral paulista.
Ufologia no Brasil
Pode-se dizer que o interesse por ufologia no Brasil
começou a partir de uma fraude jornalística. Em 7 de
maio de 1952 a revista "O Cruzeiro" publicou uma série
de fotos de supostos Ovnis sobrevoando a Barra da
Tijuca, no Rio. A revista estava praticamente à beira da
falência e resolveu fraudar as fotos com truques de
câmera realizados no local e outros feitos
posteriormente no laboratório.
Há quem diga que só fizeram isso para mostrar como era
fácil fraudar fotografias e que iriam revelar a verdade
publicamente depois, mas a revista acabou. O fato é que
as cinco fotos geraram uma intensa especulação e grande
interesse no assunto em todo o Brasil.
Entre os então adolescentes que começaram a pesquisar o
assunto naquela época, está Claudeir Covo, hoje com 58
anos, um dos mais conhecidos ufólogos do país. É ele
quem comanda o INFA (Instituto Nacional de Investigação
de Fenômenos Aeroespaciais), que mantém um site com
vídeos, relatos e outras informações ligadas à pesquisa
e ao estudo de assuntos relacionados à ufologia.
Como a maioria dos garotos da época, Claudeir viveu a
era das conquistas espaciais, quando filmes b de ficção
científica estavam em alta e todos acompanhavam ansiosos
as explorações espaciais de russos e americanos. "Em
1966, um dos astronautas que estava numa das missões
Apollo declarou que a nave dele havia sido seguida por
um objeto discóide. Isso me deixou muito interessado
pelo assunto, porque era uma pessoa bem preparada, não
era um qualquer", afirma.
Especialista em analisar imagens, fotografias e filmes
de supostos discos voadores, Covo, que também é
engenheiro aposentado, faz uma pesquisa séria sobre o
assunto. Segundo ele, apenas 2% do material com o qual
tem contato não tem nenhuma explicação científica.
"Do restante, 83% são enganos com algum fenômeno físico
ou químico, sejam artificiais ou naturais. Outros 15%
são fraudes: coisas como pratos de pizza ou tampas de
panela, calotas de carro etc. No YouTube, por exemplo,
95% dos vídeos de ufologia são fabricados", conta.
Com tantos enganos e fraudes, Claudeir diz que o que o
mantém interessado no assunto é a curiosidade por
fenômenos que a ciência não consegue explicar ou
compreender. "Eu diria que a busca pelo desconhecido
atrai a curiosidade de qualquer ser humano."
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