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Grupo encontra rochas de quase 4,3
bilhões de anos no Canadá
Pesquisadores acharam na baía de Hudson, no interior do
Canadá, aquelas que podem ser as rochas mais velhas da
Terra --ou ao menos, o pedaço mais antigo da crosta do
planeta derivado de outra parte antiga, com quase 4,3
bilhões de anos.
Se confirmada, a data é a mais próxima até agora da
origem não só da crosta rochosa da superfície da Terra,
como do próprio nascimento do planeta. Os pesquisadores
estimam que a Terra tenha em torno de 4,6 bilhões de
anos.

"Essas rochas do norte de Québec ou têm 4,2 bilhões ou
4,28 bilhões de anos, ou são derivadas de um manto que é
realmente antigo --por assim dizer, o "manto perdido"
que nós achamos que deveria estar lá, e que nós agora
encontramos, caso sejam mais jovens que 4,2 bilhões de
anos", diz o pesquisador Jonathan O'Neil, da
Universidade McGill, de Montréal, Canadá. O manto é a
camada do interior do planeta entre a crosta e o núcleo.
O cinturão rochoso de Nuvvuagittuq foi primeiro
observado como potencialmente antigo em 2001. Quatro
pesquisadores do Canadá e dos EUA analisaram agora a
composição de isós (variantes com diferentes massas
atômicas) dos elementos químicos samário e neodímio das
rochas para checar sua idade, e descreveram o achado na
edição de hoje da revista científica "Science".
O estudo envolveu uma "radiatividade extinta", de vida
curta, no caso do isó samário-146, que não existe
mais na Terra, tendo "decaído" (perdendo a radiação e se
transformado) em neodímio-142.
"Se a idade aparente de 4,28 bilhões de anos é
geologicamente significativa, o material formador dessa
rocha passa a ser o mais antigo conhecido. Até o
presente a rocha mais antiga datada é o gnaisse acasta,
também do Canadá, com 4,03 bilhões de anos. Só que o
gnaisse acasta foi datado com método mais robusto",
afirma o pesquisador brasileiro Umberto Cordani, da
Universidade de São Paulo, e também especialista em
rochas antigas.
"O importante não é a idade, e sim o conhecimento sobre
o que aconteceu nos primórdios do planeta", afirma
Cordani. Rochas com quase 4 bilhões de anos são raras.
No Brasil, as mais antigas estão no interior da Bahia e
têm em torno de 3,5 bilhões, diz o professor da USP.
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