|
Meteorito pode dar "carona" a micróbio
Há muitas pedras de cor clara no caminho dos caçadores
de meteoritos marcianos, e todas têm sido ignoradas. É
uma pena, pois algumas dessas rochas sedimentares, que
vieram parar na Terra, seriam aquelas com mais chance de
revelar fósseis de micróbios com bilhões de anos, caso
eles existam. Em um experimento com um meteorito
"artificial", pelo menos, restos fósseis de seres vivos
sobreviveram ao espaço.
ESA

A cápsula Foton-M3, recolhida no Cazaquistão, com
amostras circulares de rocha do experimento Stone-6
afixadas em seu casco
O resultado do teste foi revelado pelo projeto
"Stone-6", da ESA (Agência Espacial Européia), há cinco
dias, no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, na
Alemanha.
A importância do experimento é que ele foi feito com
rochas sedimentares, formadas pela ação erosiva de água
e gelo em um passado remoto. Se existiu vida em Marte, é
nessas rochas que há mais chance de encontrar os seus
vestígios.
Ocorre que os 39 meteoritos que caíram na Terra e que se
tem certeza de que vieram de Marte são todos feitos de
rochas vulcânicas, escuras. Por isso, o local favorito
de caça aos meteoritos marcianos é a Antártida, onde as
rochas escuras vindas do céu contrastam com a superfície
branca do gelo que recobre o continente.
Pouca gente se preocupou em tentar achar meteoritos
sedimentares marcianos, pois achava-se que eles seriam
desintegrados no atrito com a atmosfera da Terra. Mas o
grupo da cientista Frances Westall, da Universidade de
Orleans (França), prova o contrário.
Os pesquisadores incrustaram três amostras de rochas
terrestres (semelhantes às do planeta vermelho) no
escudo protetor da cápsula espacial Foton-M3, lançada
pela ESA, dia 14 de setembro de 2007 e recuperada 12
dias depois.
A primeira amostra era uma rocha vulcânica, que não
sobreviveu ao choque da reentrada na atmosfera
terrestre, quando a velocidade da cápsula chegou a 29
mil quilômetros por hora e se aqueceu a 1.700C. A
amostra se descolou do escudo.
As outras duas amostras sobreviveram. Uma das rochas,
feita de areia vulcânica com fósseis de bactérias se
formara há 3,5 bilhões de anos, numa época em que as
condições na Terra e em Marte eram muito parecidas.
Apenas metade da amostra foi arrancada pelo calor. Os
fósseis, analisados por microscópio, permaneceram
reconhecíveis. A terceira amostra era uma argila
petrificada, de 370 milhões de anos, com sinais químicos
de vida. Somente 26% da amostra sobreviveu, mantendo
traços das substâncias bioquímicas.
Bactérias modernas que vivem dentro de rochas foram
colocadas atrás de cada amostra. Todas morreram
carbonizadas, mas traços de seus corpos foram
preservados.
"Traços de vida em sedimentos marcianos podem ser
encontrados na Terra", diz Westall. E segundo ela, o
contrário também vale: traços de vida em sedimentos
terrestres podem ser encontrados em Marte.
|