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Pesquisador tentará agora criar linhagem
usando tecido adulto
RAFAEL GARCIA
Mesmo tendo conseguido obter agora uma linhagem própria
de células-tronco embrionárias humanas, pesquisadores
brasileiros já se movimentam para conseguir produzir as
chamadas células-tronco iPS --criações de laboratório
que possuem grande versatilidade, mas não requerem o uso
de embriões para serem obtidas.
Segundo Stevens Rehen, da UFRJ, porém, o Brasil ainda
está à mercê da lentidão das importações para conseguir
reproduzir esta técnica. "Acabei de comprar um reagente
[material de pesquisa] crucial para fazer a
reprogramação das células [as iPS]", afirma o cientista
"Recebi agora um e-mail da Merck dizendo que vai demorar
60 dias para me entregar."
Lygia da Veiga Pereira/Divulgação

Primeira linhagem nacional de células-tronco
embrionárias, batizada BR-1, foi confirmada pelo
laboratório de Lygia da Veiga Pereira
Segundo Rehen, esse tipo de demora deverá ser coisa do
passado em breve, no que se refere à obtenção de
células-tronco embrionárias humanas. Seu grupo na UFRJ
desenvolveu uma técnica para multiplicação de
células-tronco embrionárias em biorreatores que permite
obtê-las em grande escala.
Segundo Rehen, a partir de uma amostra o método é capaz
de produzir um montante de 900 milhões de células.
"Colocando um milhão de células em cada tubinho já está
bom."
"Já temos um artigo submetido [a uma publicação
científica] sobre isso", diz. "Provavelmente vai ser o
primeiro trabalho publicado sobre uma pesquisa com
célula-tronco embrionária humana no Brasil."
Rehen afirma que o clima de medo e incerteza que pairava
sobre os cientistas nos anos em que as pesquisas com
células-tronco vinham sendo questionadas na Justiça já é
passado.
"Estamos maravilhosamente bem", diz. "Houve um
investimento grande do governo e o pessoal está bem
motivado."
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