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UICN alerta para estudo e considera
'crise de extinção'
Cerca de 20% dos mamíferos do planeta correm risco de
desaparecer, segundo a avaliação mais completa já feita
da situação destas espécies no planeta.
Segundo a "lista vermelha" publicada pela União
Internacional para a Conservação da Natureza (UICN),
pelo menos 1.141 das 5.487 espécies de mamíferos
terrestres estão ameaçadas de extinção.

Pelo menos 188 se enquadram na categoria máxima de
"perigo crítico", afirmou a UICN, que considerou a
situação como uma "crise de extinção".
O estudo, apresentado no Congresso Mundial da Natureza,
que vai até o dia 14 de outubro em Barcelona, na
Espanha, afirma que desde o ano 1500 pelo menos 76
espécies desapareceram.
Segundo a entidade, isto se deve à perda e degradação
dos hábitats de 40% dos mamíferos do planeta, em
especial na América Central e do Sul, na África
ocidental, oriental e central, em Madagascar e no sul e
sudeste da Ásia.
Não só mamíferos
A última edição da lista vermelha da UICN inclui 44.838
espécies, das quais 16.928 - quase 38% do total - correm
perigo. Mais de 3,2 mil estão na categoria de ameaça
máxima, disse a UICN.
Os anfíbios também enfrentam o que a entidade qualifica
como "crise", com 366 espécies adicionadas à lista este
ano. Atualmente, 1.983 espécies (ou 32,4% do total)
estão ameaçadas ou extintas, disse a entidade. Na Costa
Rica, por exemplo, um sapo da espécie Incilius
holdridgei não é observado desde 1986.
Novo índice
A UICN anunciou em Barcelona o lançamento do que chamou
"o índice Dow Jones da biodiversidade" - um indicador
para monitorar a ameaça às espécies.
Calculado em cooperação com a Sociedade Zoológica de
Londres, o índice acompanha um conjunto de 1,5 mil
espécies representativas da biodiversidade do planeta,
para acompanhar as tendências gerais em relação a seu
status.
Cientistas já realizaram avaliações de todas as aves,
mamíferos e anfíbios conhecidos, mas a amostragem geral
só abarcava 4% da biodiversidade terrestre.
"Estamos emergindo das trevas no que diz respeito aos
conhecimentos de conservação. Até agora nos baseávamos
em um subconjunto muito limitado de espécies", disse em
um comunicado o diretor dos programas de conservação da
Sociedade Zoológica londrina, Jonathan Baillie.
"No futuro, ampliaremos o âmbito de nossos conhecimentos
das espécies, incluindo uma gama de grupos mais extensa,
o que permitirá assistir as decisões políticas de
maneira muito mais objetiva e representativa".
Perda de biodiversidade
O trabalho quer se somar a esforços para o objetivo de
conter até 2010 a gradual perda da biodiversidade da
Terra.
Um estudo realizado pelo cientista Jan Schipper, da
organização Conservação Internacional (CI), afirma que a
porcentagem de mamíferos ameaçada pode ser na verdade
maior - 36%, nos cálculos de um artigo científico dele a
ser publicado na revista Science.
"Isto indica que a prioridade para o futuro consiste em
implementar ações de conservação apoiadas em bases
científicas", declarou Schipper.
A UICN afirmou que faltam dados para avaliar com
precisão o status de 836 espécies de mamíferos e que,
por isso, outras podem estar sob risco de desaparecer.
Por outro lado, os resultados mostram que determinadas
espécies à beira da extinção podem se recuperar - 5% dos
mamíferos atualmente ameaçados demonstram sinais de
recuperação em estado silvestre, disse a entidade.
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