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Cientistas: vírus da aids pode se
esconder em uma célula
Para um doente crônico de aids, abandonar
a medicação significa reativar a infecção, mas novos
dados sugerem que essa ação infecciosa poderia se
originar a partir de um único vírus "escondido" em
estado latente em alguma célula do corpo.
Apesar da eficácia dos atuais tratamentos
anti-retrovirais, capazes de reduzir a carga no sangue
do vírus que provoca a aids - o HIV - até valores
praticamente não detectáveis, erradicá-lo do organismo
continua sendo impossível.
Combatido pelos anti-retrovirais, o HIV sobrevive "se
escondendo" em algumas células do tecido linfático, do
cérebro, da medula óssea ou do sangue, onde resiste
protegido em uma espécie de estado inativo -conhecido
como estado latente.
Sob algumas circunstâncias, entre elas abandonar a
medicação, o vírus em estado latente "desperta" e
origina, em poucos dias ou semanas, uma nova infecção
muito ativa, com a qual o paciente recupera praticamente
a carga de HIV que tinha antes de começar o tratamento.
Saber o que ocorre nessas células "refúgio" e achar o
modo de identificá-las para poder, algum dia,
eliminá-las e erradicar a infecção são questões
fundamentais às quais a investigação pretende responder
hoje, explica Günthard Huldrych, professor no Hospital
Universitário de Zurique.
O estudo dirigido pelo especialista e que foi publicado
nesta segunda na revista americana Proceedings of the
National Academy of Sciences esclarece a primeira dessas
dúvidas.
Durante os últimos dez anos, existiu a incógnita sobre
se nessas células que se transformam em "abrigo" para o
HIV, este se encontra completamente inativo ou continua
se multiplicando lentamente e se propagando a outras
células.
A equipe de Huldrych estudou como o vírus evoluía
(concretamente, um pedacinho do gene de uma proteína que
compõe a cobertura do vírus) em 20 pacientes crônicos de
aids que participaram do teste hispânico-suíço de
tratamento intermitente (SSITT, em inglês).
Para sua surpresa, descobriram que os vírus que
reativavam a infecção mal tinham evoluído em relação à
situação inicial, antes de começar o tratamento
anti-retroviral.
Segundo os cientistas, essa "estagnação" é um indício de
que o vírus não se multiplica ativamente, porque, se
fizesse, mesmo de forma lenta, deveria usar a
retrotranscriptase.
Esta enzima, fornecida pelo próprio vírus, lhe permite
fazer uma cópia de seu RNA no DNA para poder, depois, se
inserir no genoma da célula e "se esconder".
Nesse processo de cópia, a enzima se equivoca, e muito,
"o que deveria resultar, em último caso, em erros no
genoma do vírus", explica Huldrych.
Em outras palavras, seria preciso gerar uma diversidade
de vírus que sua equipe não encontrou.
O especialista acredita que se trata de uma boa notícia
para pacientes e médicos, porque deste estudo se
depreende que os tratamentos anti-retrovirais são
"realmente muito potentes".
Além disso, infere-se que seu uso sustentado não teria
que levar ao desenvolvimento de resistências, algo que
sim seria possível se o vírus tivesse a mínima
possibilidade de se multiplicar.
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