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Cientistas pressionam Lula por redução de
burocracia
AFRA BALAZINA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado
ontem em evento na SBPC (Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência) sobre a demora em resolver os
problemas de burocracia que atravancam pesquisas no
país. A principal queixa vem de biólogos que trabalham
coletando animais e plantas e dos pesquisadores que
dependem de importação de material para seus estudos.
O Ministério do Meio Ambiente já emitiu uma portaria
para facilitar a concessão de autorizações para pesquisa
em parques nacionais. No entanto, segundo o presidente
da SBPC, Marco Antonio Raupp, o problema não foi
solucionado. "O ministro Carlos Minc definiu novos
procedimentos, facilitados, para a liberação de ações de
coleta de instituições de pesquisa e pesquisadores. Foi
tudo resolvido em princípio, mas ainda está patinando."
Após ouvir as reclamações dos pesquisadores, Lula
afirmou que pensava estar "resolvido esse negócio de
pesquisa na Amazônia". Disse ainda que Minc, após
reunião com cientistas há cerca de um mês sobre a
questão, foi a seu gabinete e mostrou entusiasmo. "Vou
saber com o Minc o que falta fazer", afirmou.
Lula participou ontem da cerimônia de comemoração dos 60
anos da SBPC em São Paulo, onde recebeu um certificado
de sócio ativo da entidade.
Adalberto Val, conselheiro da SBPC e diretor do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) citou ao
presidente o caso ocorrido com Luiz Hildebrando da
Silva, um dos maiores parasitologistas do Brasil, que
por pouco não foi rotulado de biopirata pelo Ibama no
mês passado, após uma acusação anônima. O órgão federal,
por fim, desistiu de notificar o pesquisador.
A presidente da Sociedade Brasileira de Química,
Vanderlan Bolzani, disse que os pesquisadores de sua
área têm tido dificuldades também com a burocracia da
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e que
trabalhos importantes estão sendo prejudicados.
O presidente sugeriu que a SBPC e o ministro Sérgio
Rezende (Ciência e Tecnologia) coloquem todos os
problemas mencionados numa "cesta" e os levem para uma
reunião no fim do ano. A partir disso, será verificado o
que pode ser feito "com cada órgão que está criando
determinadas dificuldades". "Só tem um jeito de agilizar
as coisas no governo: sentar com todas as pessoas
envolvidas."
Segundo Raupp, em um mês a entidade deve finalizar a tal
"cesta de problemas". "Já combinei com o ministro Sérgio
Rezende de fazer o levantamento, e ele encaminhará."
O presidente fez piada com os cientistas e disse que
eles não são os únicos que emperram frente à burocracia.
"Eu queria trocar os microfones dos púlpitos em que eu
falo, porque são muito compridos e eu não consigo ler os
documentos. Nós passamos dois anos. Vocês acham que é só
com vocês?"
PAC da Ciência
Lula não ouviu reclamações sobre a falta de recursos na
área de ciência e tecnologia ontem. "O patamar de
investimento está muito bom. Você vê, pela primeira vez,
que os fundos setoriais não estão contingenciados.
Então, está bastante razoável", afirmou Raupp.
O presidente, porém, ressaltou que o dinheiro
proveniente do PAC da Ciência, R$ 41 bilhões, precisa
ser bem gasto até 2010 --e essa é a condição para que o
setor receba mais recursos posteriormente. "Sei que na
hora em que esgotar vocês vão querer um PAC de R$ 60
bilhões, de R$ 70 bilhões. E Deus queira que vocês
sempre tenham razão de querer mais. É do cumprimento do
gasto desse dinheiro que vocês irão fazer por merecer
mais dinheiro."
Lula afirmou, ainda, que os pesquisadores devem
aproveitar o fato de ele não ser da área para fazer suas
reivindicações. "Eu não sou cientista e, portanto, não
tenho preconceito, não tenho as divergências setoriais
que vocês têm."
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