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Sonda vê "terremoto" de alto impacto em
estrelas
EDUARDO GERAQUE
Prever o comportamento de uma pessoa sem conhecê-la por
dentro é impossível. Portanto, os dados enviados pelo
telescópio Corot, que está a uma altura de 897
quilômetros da Terra, estão sendo comemorado pelos
físicos e astrônomos. Pela primeira vez, a ciência tem
dados das entranhas de estrelas mais quentes e com mais
massa do que o Sol, e mostra que elas também sofrem
"terremotos" internos.
O termo correto, na verdade é "estelemoto" --a palavra
terremoto é aplicável apenas a estruturas sólidas e o
interior das estrelas estudadas apresenta apenas plasma.
Em estudo na revista "Science", os cientistas descrevem
agora esses tremores em três objetos que estão de 100 a
200 anos-luz de distância da Terra, e que foram
observados por pelo menos 60 dias.
David Ducaos/CNES

Telescópio Corot, que orbita a Terra a 897 km de
altitude, mostra entranhas de estrelas mais quentes e
com mais massa do que o Sol
"Chega a ser absolutamente surpreendente", afirma à
Folha o físico José Renan de Medeiros, da UFRN
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte).
Segundo o pesquisador, um dos brasileiros que participam
do Projeto Corot, de origem européia, as oscilações (os
estelemotos) medidas nas três estrelas são 1,5 vezes
maiores do que as registradas no Sol.
Os cálculos são feitos a partir da variação de
luminosidade provocada pela retração e expansão do
interior das estrelas e captadas pelo Corot --o
telescópio lançado no fim de 2006 tem 27 cm de diâmetro.
"Esses dados mostram que nós temos que ir mesmo ao
espaço se quisermos avançar na compreensão da emissão
solar", diz.
Segundo Medeiros, o estudo, assim como toda a missão
Corot, é uma grande oportunidade que existe para
desvendar a história evolutiva do Sol, pois conhecer as
estrelas por dentro ajuda a revelá-las por fora.
Plasma em borbulhas
A chamada granulação das estrelas --grosso modo, a
quantidade de borbulhas que existe no plasma na
superfície do corpo celeste-- é outra medida pioneira da
Corot. "Esse dado é importante porque a granulação
reflete o quanto movimentos convectivos no interior da
estrela [a subida do plasma mais quente] são
importantes. Isso, ao ser casado com a rotação da
estrela, indica sua atividade magnética", diz Medeiros.
Com esse primeiro resultado, um dos objetivos do projeto
começa a ser cumprido, explica o cientista da UFRN --em
Natal há uma central que recebe dados da Corot. O estudo
ajuda a entender o interior das estrelas e, por tabela,
o do Sol. Este último, os cientistas já conheciam, mas
não sabiam se ele era similar ao de outras estrelas.
A segunda parte da missão, diz Medeiros, também é
promissora. "Estamos desenvolvendo uma técnica
estatística que será uma ferramenta primordial para que
se encontre centenas ou, porque não, milhares de
planetas [fora do Sistema Solar] do dia para a noite."
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