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"Homem do gelo" não tem mais
descendentes, diz estudo
O "homem do gelo", múmia de 5.300 anos
descoberta em 1991 nos Alpes italianos, não tem
descendentes em nossos dias, segundo um estudo publicado
nesta quinta-feira pela revista científica Current
Biology.

Pesquisadores italianos e britânicos seqüenciaram o DNA
mitocondrial completo do ser pré-histórico, também
conhecido como Ötzi - por causa da região onde foi
encontrado -, e descobriram que ele pertence a uma
linhagem genética que é muito rara e pode até estar
extinta.
Os especialistas das universidades de Camerino e Leeds
geraram o DNA mitocondrial mais antigo até o momento de
um Homo sapiens. Seus resultados contradizem as
conclusões de uma pesquisa de 1994 sobre uma seqüência
pequena do DNA de Ötzi, que sugeria que ainda poderia
haver descendentes seus na Europa.
Os pesquisadores utilizaram novas tecnologias para
seqüenciar o DNA de Ötzi e compará-lo com um haplogrupo
- grupos que compartilham uma seqüência ancestral de DNA
- atual.
O "homem do gelo" pertencia a um ramo do haplogrupo K1,
que ainda é comum hoje em dia na Europa, mas quase todos
pertencem a três sublinhagens concretas, enquanto a
linhagem de Ötzi era completamente diferente.
"Nossa análise confirma que Ötzi pertencia a uma
linhagem não-identificada de K1 que não foi vista até o
momento em populações européias modernas", disse Martin
Richards, professor da Universidade de Leeds.
"Nossa pesquisa sugere que a linhagem de Ötzi pode ter
sido extinta", completou. Os restos mumificados do
"homem do gelo", que tinha aproximadamente 46 anos
quando morreu, foram descobertos em 1991 por dois
turistas alemães em uma geleira perto da fronteira da
Itália com a Áustria.
Seu corpo estava quase totalmente preservado graças às
baixas temperaturas, o que dá uma percepção sem
precedentes sobre o Neolítico e a Idade do Cobre.
Segundo as pesquisas, Ötzi, cujo corpo é exposto desde
1998 no museu de Bolzano, no norte da Itália, foi
gravemente ferido por uma flecha e possivelmente morto
com um golpe na cabeça.
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