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Termômetro não invasivo mede pontos
quentes de tecido
Médicos poderão em breve medir temperaturas dentro do
corpo sem o uso de sondas ou agulhas, graças a uma
técnica de ressonância magnética. Seus inventores
acreditam que ela poderia melhorar a viabilidade de
tratamentos médicos que envolvam o aquecimento de
tecido.

O calor tem sido recomendado como uma importante arma na
guerra contra o câncer. O aquecimento de células
cancerosas pode deixá-las mais suscetíveis à
radioterapia, ajudando também na eficácia de algumas
drogas contra a doença. No entanto, essas terapias
térmicas precisam ser administradas com cuidado, de modo
a garantir que a "dose" de calor atinja o alvo
pretendido, mas evite o superaquecimento. Idealmente, a
medição de temperatura deveria ser não-invasiva e cobrir
uma ampla área, não apenas alguns pontos.
As técnicas de ressonância magnética existentes são
capazes de medir apenas mudanças de temperaturas em
seres vivos e não fornecem um valor absoluto. A precisão
das medições também é comprometida quando o campo
magnético varia ao longo da região a ser examinada ¿
como é o caso dos corpos humanos, que possuem diversos
tipos de tecido.
A tomografia por ressonância magnética funciona através
de pulsos de radiofreqüência que empurram núcleos de
hidrogênio, encontrados na água e na gordura,
desalinhando-os com o forte campo magnético do tomógrafo.
À medida que os prótons retornam às suas posições
iniciais, eles emitem um sinal de radiofreqüência
próprio, que é detectado e usado para construir a imagem
do tecido.
Uma equipe de cientistas da Universidade de Duke em
Durham, Carolina do Norte, modificou esses pulsos de
radiofreqüência para produzir um termômetro de
ressonância magnética de 5 a 10 vezes mais preciso que a
segunda melhor alternativa. O método, chamado de HOT
thermometry (termometria quente), é descrito na edição
recente do periódico Science.
Siga a gordura
Métodos consagrados de monitoramento de temperatura por
ressonância magnética se baseiam no fato de que, à
medida que a temperatura muda, as moléculas de água
vibram a freqüências diferentes, afetando seu sinal de
radiofreqüência. Mas isso fornece apenas uma medição
relativa da temperatura.
Esse novo trabalho utiliza uma seqüência específica de
pulsos de radiofreqüência para observar moléculas de
gordura e de água, comparando suas freqüências
ressonantes. A diferença entre as freqüências
corresponde diretamente à temperatura absoluta do
tecido, explica o químico Warren Warren da Universidade
de Duke. "Por exemplo, se constatamos que essa diferença
em um tomógrafo magnético é de 950 Hz, isso indica que a
temperatura naquela região é de 40,2°C." A comparação de
sinais de diferentes moléculas também permite solucionar
incertezas geradas por campos não uniformes.
A equipe testou a nova técnica em camundongos obesos
vivos, selecionados por terem níveis de gordura e água
em seus tecidos similares a de um seio humano normal. Os
camundongos foram aquecidos por contato com um tubo de
água quente e examinados repetidamente enquanto sua
temperatura subia de 28,6 °C para 39 °C.
Chrit Moonen, diretor do Laboratório de Imagem Molecular
e Funcional da Universidade de Victor Segalen de
Bordeaux, França, diz que o método apresenta uma solução
para um dos maiores problemas do mapeamento de
temperatura.
"Seu maior benefício é que ele permite medições de
temperaturas absolutas que independem da heterogeneidade
do campo magnético," ele diz. "Mas a baixa resolução
espacial e temporal pode dificultar o emprego da técnica
para orientar terapias." Ele sugere que é necessária uma
análise mais profunda da sensibilidade da técnica ao
movimento e de sua precisão na medição de temperatura em
tecidos com concentrações muito baixas de moléculas de
gordura.
Aparelhos de tomografia de ressonância magnética usados
para trabalho clínico na Universidade de Duke estão
agora sendo reprogramados com as seqüências de
radiofreqüência requeridas para a HOT thermometry. A
técnica será então incorporada a um ensaio clínico em
andamento que estuda a hipertermia dirigida para
tratamento do câncer de mama. "Espero que em seis meses,
no máximo, façamos testes em humanos," Warren diz.
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